Bando invade escola em Camarões, deixa 6 crianças mortas e 8 feridas

Homens armados chegaram em motocicletas. Massacre ocorreu na cidade de Kumba, no sudoeste do país africano

atualizado 24/10/2020 21:41

Homens armados invadiram uma escola em Camarões neste sábado (24/10), e abriram fogo indiscriminadamente, matando pelo menos seis crianças e ferindo outras oito em uma região onde operam grupos separatistas, disseram autoridades e pais.

Chegando em motocicletas, os agressores atacaram a escola por volta do meio-dia na cidade de Kumba, na região Sudoeste, segundo relatos. Alguns alunos se machucaram ao saltar de janelas do segundo andar.

Não ficou claro se o ataque estava relacionado a um conflito contínuo entre o exército e grupos que buscam formar um estado separatista chamado Ambazonia no oeste, onde a maioria das pessoas falam a língua inglesa. “Eles encontraram as crianças na sala de aula e abriram fogo contra elas”, disse o subprefeito da cidade, Ali Anougou à Reuters.

O episódio aconteceu em uma região que, desde 2017, viu centenas de mortes e milhares de desabrigados por causa do conflito, com muitas crianças impossibilitadas de frequentar a escola.

Isabel Dione correu para a escola para procurar sua filha de 12 anos quando soube do tiroteio. Ela a encontrou no chão de uma sala de aula, sangrando na barriga. “Ela estava indefesa e gritava ‘mãe, por favor, me ajude’, e eu disse a ela ‘só o seu Deus pode salvá-lo agora'”, disse Dione à Reuters. A menina foi levada para o hospital, onde está sendo tratada por um ferimento à bala.

O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários disse que oito crianças foram mortas, algumas por golpes de machete, e que 12 ficaram feridas.

Vídeos que circularam nas redes sociais, filmados por jornalistas locais, mostram adultos correndo na escola com crianças nos braços, cercados por pessoas chorando. Uma foto mostra o interior de uma sala de aula, onde há um acúmulo de sangue seco no chão perto de alguns chinelos espalhados.

A autoridade de educação local, Ahhim Abanaw Obase, confirmou seis mortes de crianças entre 12 e 14 anos e acrescentou que outras oito foram levadas ao hospital. Anougou e outro oficial culparam os separatistas pelo ataque, mas não ofereceram evidências.

Ayuk Tabe, um importante líder separatista, descreveu o ataque como “desumano” em um post no Twitter e disse que “qualquer responsável por essas atrocidades deve ser processado”. No entanto, muitos grupos armados surgiram do movimento separatista desde 2017, e raramente há um único representante que fale por todos.


Os secessionistas anglófonos impuseram toques de recolher e fecharam escolas como parte de seu protesto contra o governo de língua francesa do presidente Paul Biya e o que eles consideram ser uma política de marginalização da minoria de língua inglesa.

Grupos de direitos humanos documentaram abusos contra civis de ambos os lados. No ano passado, as autoridades culparam os separatistas pelo sequestro de dezenas de crianças em idade escolar, o que foi negado pelos separatistas.

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