Autoproclamação de Flávio não recebe apoio interno e nem internacional
Apesar de prestarem apoio, Trump e Milei não endossaram discurso de Flávio Bolsonaro como "verdadeiro presidente eleito" do Brasil

O movimento do senador Flávio Bolsonaro (PL) de não reconhecer o resultados das eleições brasileiras e fugir para os Estados Unidos enquanto se autodeclarou presidente do Brasil, não encontrou apoio político. Além de desagradar aliados, a manobra não foi reconhecida por líderes internacionais de direita que, em sua maioria, já reconheceram a vitória de Lula.
Depois da derrota no pleito que reelegeu Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para seu quarto mandato, Flávio Bolsonaro deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos, onde chegou nessa quarta-feira (28/10). Após chegar no país, o senador publicou uma carta na qual fez críticas ao sistema eleitoral brasileiro e se autointitulava “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”.
Horas depois, Flávio postou uma nova versão da carta, onde substituiu o título por “líder do Brasil”.
A manobra realizada pelo candidato derrotado, contudo, não parece ter tido o efeito esperado. Horas após a publicação do comunicado, membros do próprio Partido Liberal (PL), pelo qual Flávio Bolsonaro foi candidato à Presidência da República, declararam não terem provas de que as eleições teriam sido fraudadas — contradizendo o senador.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“O PL não pode fazer essa afirmação porque não tem prova nesse sentido […] Se você faz alguma afirmação, você precisa trazer provas […] Me foi perguntado se eu concordo com uma fraude [nas eleições]. Eu não posso fazer essa afirmação, não tenho provas”, declarou o senador e líder da oposição, Rogério Marinho (PL), que também coordenou a campanha de Flávio.
Nesta quinta-feira (29/10), o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou “não ter gostado” da carta de Flávio Bolsonaro. O senador publicou três versões do comunicado. Na primeira delas, além da autodeclaração de “presidente eleito”, o documento utilizava um brasão dos “Estados Unidos do Brazil”, com a letra Z.
Já na terceira versão do documento havia um recuo na narrativa do senador. Nesta última versão, os termos “verdadeiro presidente do Brasil” e “presidente eleito” foram substituídos por “líder do Brasil” e “líder”.
Flávio saiu derrotado do segundo turno das eleições, com 48,21% dos votos, ante Lula que obteve 51,79% dos votos. O resultado foi reconhecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e por lideranças da comunidade internacional. Além de ter sido endossado por observadores internacionais, como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e o Centro Carter.
Fuga de Flávio Bolsonaro
- Flávio Bolsonaro foi alvo de um pedido de devolução de passaportes após perder as eleições para a Presidência da República.
- A medida partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a Polícia Federal (PF) apontar risco de fuga do senador do Brasil em meio à derrota nas eleições.
- A devolução não foi cumprida e, cerca de dois dias após as eleições, Flávio Bolsonaro deixou o Brasil utilizando um passaporte italiano.
- A partida para outro país implica descumprimento de decisão judicial por Flávio, que havia sido impedido de deixar o Brasil após ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
- Apesar disso, o Departamento de Estado informou que concederia vistos a Flávio e sua família para que eles pudessem entrar e ficar no país.
- O político é investigado em três processos diferentes conduzidos pela Polícia Federal. Entre eles, Flávio Bolsonaro é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Sem eco internacional
A narrativa de Flávio Bolsonaro também não foi encampada por líderes internacionais. Na América do Sul, quase todos os presidentes da região reconheceram a reeleição de Lula — com exceção de Javier Milei, da Argentina.
A vitória foi reconhecida por presidentes de direita como o colombiano Aberlado de la Spriella; o paraguaio, Santiago Peña; e o chileno, José António Kast.
O equatoriano Daniel Noboa, visto ainda como uma aliado político de Flávio Bolsonaro e Donald Trump na América do Sul, também reconheceu o resultado das eleições brasileiras e parabenizou Lula pela reeleição. Ao fugir do Brasil, o senador teria utilizado ainda uma rota entre o Brasil, Argentina e Equador, onde parou antes de seguir para Miami, nos Estados Unidos.
Embora Donald Trump e Javier Milei tenham feitos acenos para o senador e ainda não tenham reconhecido a reeleição de Lula, nenhum dos dois líderes fizeram declarações, até o momento, que endossam o discurso de Flávio Bolsonaro como “verdadeiro presidente eleito no Brasil”.
O presidente dos Estados Unidos também deu declarações contraditórias sobre o pleito. Ao ser questionado, ele chegou a afirmar que gosta de Lula, mas levantou suspeitas sobre o processo eleitoral brasileiro e chegou a dizer, em mais de uma oportunidade, que as eleições “parecem terem sido fraudadas”.
“Eu não governo o Brasil. Eu governo os Estados Unidos. Gosto do Lula. Me dou muito bem com ele, mas a prorrogação concedida foi muito estranha”, declarou Trump sem comprovar as afirmações.
A eleição de Lula também foi reconhecida pela primeira-ministra da Itália, Geogia Meloni, considerada a líder do movimento de direita na Itália, e também pelo presidente de El Salvador, Naybe Bukele. A política de segurança pública adotada por Bukele se transformou em uma das principais apostas de Flávio Bolsonaro durante a campanha eleitoral.








