Após vitória em eleição polarizada, Espriella diz buscar reconciliação
Presidente eleito da Colômbia, o direitista Abelardo de la Espriella obteve 49,66% dos votos, superando Iván Cepeda, que somou 48,70%

O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, disse, em seu primeiro discurso depois do resultado eleitoral deste domingo (21/6), que busca reconciliação após um pleito marcado por extrema polarização.
Com 99,99% das urnas apuradas, Espriella obteve 49,66% dos votos, superando Iván Cepeda, candidato de esquerda e aliado do presidente Gustavo Petro, que teve 48,70%.
“Apelo a vocês para a reconciliação, porque o futuro não pertence mais a poucos privilegiados. O futuro pertence, mais uma vez, ao povo da Colômbia. Nesta nova era, todos os cidadãos comuns serão bem-vindos. Hoje, a terrível noite terminou, dando lugar à luz que nos aguarda nesta nação próspera. Segura, alegre e cheia de esperança”, afirmou o presidente eleito em discurso para milhares de apoiadores em Barranquilla.
Segundo De La Espriella, a Colômbia “será a pátria de todos os colombianos, de todas as religiões, a pátria de todas as comunidades ancestrais, de todos os jovens, avós, agricultores, empreendedores. Uma pátria de todos, para todos”.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO colombiano passou pelas ruas da cidade em um veículo blindado ao lado de seu candidato a vice-presidente, José Manuel Restrepo, para comemorar os resultados preliminares das eleições. Ao longo da semana, juízes eleitorais devem ratificar a votação em contagem oficial, que confirmará o desfecho do pleito. Historicamente, essa checagem não altera o resultado da pré-contagem.
“Esta nação é maior do que qualquer partido, maior do que qualquer ideologia. A Colômbia merece ser grande. Hoje, meus concidadãos, somos um só povo: cada um com suas diferenças, com seus objetivos, mas unidos por um mandato maior, o de reconstruir a nação desde seus alicerces”, continuou o presidente eleito em discurso.
Durante sua fala, ele declarou ainda que pretende retomar relações com todos os “países que respeitam a democracia” e romper laços com “países que não respeitam a liberdade e o Estado de Direito”.
Abelardo deve suceder o esquerdista Gustavo Petro no comando do país a partir de 7 de agosto.
Quem é o novo presidente da Colômbia
Apelidado de “El Tigre”, o presidente eleito nunca ocupou cargo eletivo e se apresenta como um “outsider”, distante da classe política tradicional.
Advogado criminalista de 47 anos, Abelardo de la Espriella é filiado ao movimento Defensores da Pátria e ganhou notoriedade por sua atuação em casos de grande repercussão na mídia. Ao longo da campanha, defendeu uma agenda de segurança pública mais dura e propostas de viés liberal na economia.
Ele se inspira em líderes como o presidente da Argentina, Javier Milei, e o de El Salvador, Nayib Bukele, defendendo a redução do tamanho do Estado e uma postura mais rígida no combate à violência. Entre suas propostas estão a construção de megaprisões nos moldes das adotadas em El Salvador, o endurecimento das penas, o fim da política de “paz total” de Gustavo Petro e a intensificação de operações militares contra grupos armados.
O presidente eleito se define como judaico-cristão, é casado e pai de quatro filhos. Ele costuma usar a camisa amarela da seleção colombiana de futebol — em referência semelhante à apropriação simbólica da camisa da seleção brasileira pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Ele conta com apoio público do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que busca ampliar a influência de governos alinhados ao seu na América Latina. Entre o primeiro e o segundo turno, o republicano fez ao menos duas publicações em apoio ao candidato.



