Após Trump retirar tropas, Turquia ataca curdos no norte da Síria

Operação para "neutralizar ameaça na fronteira" teve bombardeios em zona controlada por curdos e entrada de tanques em território sírio

Reprodução/TwitterReprodução/Twitter

atualizado 09/10/2019 13:06

Dias depois do anúncio da retirada das tropas americanas do norte da Síria, uma área dominada por milícias curdas, a Turquia iniciou uma operação militar para controlar a região nesta quarta-feira (09/10/2019).

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, escreveu em sua conta no Twitter que a operação vai “limpar” a região dos “terroristas” que ameaçam sua segurança. Segundo Erdogan, gá um “corredor terrorista” na fronteira que precisa ser eliminado.

Segundo relatos, os turcos estão realizando uma série de incursões aéreas para atacar o território dominado pelos curdos, bombardeando a cidade de Ras al Ain, na fronteira com a Turqia. Segundo os curdos, a cidade tem “grande concentração de civis” houve “imenso pânico” durante os bombardeios.

Antes da ação, os militares realizaram ataques aéreos na fronteira entre Síria e Iraque , em uma região usada pelos curdos para fortalecer suas posições na frente de batalha. Não há detalhes sobre mortos ou danos provocados pela ação. Os dois lados já montaram posições de artilharia, antecipando um combate de grandes proporções.

Apesar de também combater o Estado Islâmico, as milícias são vistas como inimigas por sua ligação com os grupos curdos que buscam a independência na Turquia. Um deles, o Partido dos Trabalhadores do Curdistão, está envolvido em um longo e violento conflito no país desde o final dos anos 1978, que deixou mais de 40 mil mortos.

O avanço já fazia parte dos planos do governo turco mesmo antes da decisão de Donald Trump. Há cerca de duas semanas, o presidente Recep Tayyip Erdogan , levou à Assembleia Geral da ONU um mapa do que seria a sua visão para o norte da Síria.

Segundo ele, os territórios hoje em poder dos curdos, na região da fronteira, seriam tomados por forças turcas com o objetivo de realocar parte dos mais de 3,6 milhões de refugiados sírios hoje vivendo na Turquia.

Retirada de soldados dos Estados Unidos
No domingo, o presidente americano Donald Trump anunciou a retirada das tropas que guardavam a fronteira nordeste síria, e protegia as forças curdas e a milícia Forças Democráticas da Síria (FDS), anti-Bashar Assad, em território sírio e iraquiano.

Os Estados Unidos também disseram que não iriam se opor a uma operação de Ancara contra uma milícia curda.
A retirada foi uma grande mudança de diretriz na política externa americana, que torna a Turquia responsável por milhares de prisioneiros jihadistas ligados ao Estado Islâmico.

Trump foi bombardeado por críticas de opositores e até dos próprios republicanos, no momento em que enfrenta um processo político que pode levar a seu impeachment na Câmara.

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