*
 

Depois de passarem 17 dias em uma caverna inundada no norte da Tailândia, os 12 meninos da equipe de futebol juvenil Javalis Selvagens e o técnico do time enfrentarão novos desafios após terem sido resgatados.

O grupo vai ficar internado em um hospital público de Chiang Rai, província no extremo norte do país, por, pelo menos, sete dias, em regime de quarentena. Não há prazo ainda para que eles recebam alta definitiva. Os garotos estão sendo mantidos em isolamento para evitar o risco de infecção. Isso porque, além de apresentarem quadro de fraqueza causado por desnutrição, eles também podem ter contraído doenças típicas por terem ficado muito tempo sem luz natural e em condições de pouco oxigênio.

De acordo com as equipes médicas, duas pessoas precisaram ser medicadas com antibiótico porque apresentaram um quadro de pneumonia. A avaliação da equipe médica responsável pelo grupo é de que o estado de saúde deles é delicado mas todos passam bem.

Isolamento
Os jogadores juvenis estão conversando com seus familiares por meio de uma janela de vidro. Eles não deverão ter nenhum tipo de contato físico com outras pessoas, exceto com os médicos, enquanto não realizarem todos os exames necessários. O risco é de que eles contraiam ou passem alguma doença nesse período de recuperação.

O secretário de saúde pública da Tailândia, Jesada Chokedamrongsuk, afirmou que o grupo foi submetido a vários exames, como de sangue e radiografias, assim que chegaram ao hospital. Todos eles foram tratados com antibióticos e receberam vacinas, inclusive para tétano e raiva.

Por enquanto, a dieta dos jovens está limitada a mingau, pão e uma pequena quantidade de chocolate que foi servida no café da manhã para alguns deles. As comidas apimentadas e condimentadas, típicas da culinária tailandesa, ainda estão proibidas para eles porque eles ficaram 9 dias sem comer até serem encontrados por mergulhadores.

Os garotos receberão ainda apoio psicológico porque eles poderiam eventualmente sofrer com ansiedade, ataques de pânico, pesadelos recorrentes, fobias ou outros sintomas de transtorno de estresse pós-traumático.

Os meninos também estão tendo que usar óculos escuros. Como eles passaram muito tempo em um ambiente com pouquíssima luminosidade, há chances de que suas visões possam ser prejudicadas após saírem da caverna.

Segundo o médico Thongchai Lertwilairatnapong, da rede de saúde pública da região, os quatro mergulhadores tailandeses que ficaram com os meninos por mais de uma semana após a descoberta de que eles estavam na caverna também serão colocados em quarentena.

Milagre
“Não temos certeza se isso é um milagre, uma ciência ou o que é. Todos os 13 Javalis agora estão fora da caverna”, postou a Marinha tailandesa em sua página no Facebook. O governador da província de Chiang Rai e coordenador do esforço de resgate, Rachapol Ngamgrabuan, afirmou, emocionado, que este foi “o evento mais importante” de sua vida. “É algo de que me lembrarei. Houve momentos em que eu chorei. Estou feliz. Muito feliz em ver o amor de todos os tailandeses”, disse ao final da operação de resgate.

Ela foi concluída na manhã desta terça-feira (10/7), no horário de Brasília, após as equipes terem retirado quatro garotos e o técnico de dentro da caverna. Os últimos mergulhadores que atuaram no resgate também deixaram o local no fim da manhã.

De acordo com o premiê tailandês, Prayut Chan-o-chau, os meninos chegaram a receber remédios para ansiedade mas negou que eles tenham tomado anestésicos. Os medicamentos foram administrados para ajudá-los a não ter ataques de pânico no trajeto de saída da caverna.

Cada garoto foi auxiliado por dois mergulhadores, sendo que um deles levou o cilindro de oxigênio do resgatado. Eles tiveram que nadar e ser pró-ativos no resgate. A operação correu contra o tempo em meio à ameaça de que fortes chuvas pudessem alagar o local e inviabilizar o salvamento. Havia ainda o risco de que a câmara de ar onde eles estavam pudesse ficar completamente submersa também.

Apesar do sucesso da operação, um profissional de mergulho e salvamento faleceu durante a operação: Saman Kunan (foto), 38 anos, entregou a vida para salvar os outros 13 seres humanos que estavam na caverna. O atleta de alto rendimento ficou sem oxigênio quando retornava após 6 horas nadando. Colegas próximos afirmaram que sua maior qualidade era o “altruísmo”, a vontade de ajudar o próximo.

Reprodução/Facebook

Como foi o resgate?

Oito meninos foram resgatados nos primeiros dois dias (domingo e segunda). Segundo médicos, eles estão, “de um modo geral”, com boa saúde e disposição. Em dois casos há suspeita de uma infecção pulmonar. Eles devem ficar internados por no mínimo sete dias.

Quem foram os profissionais envolvidos no drama?
A equipe internacional de resgate é composta por cerca de 20 especialistas em mergulho e salvamento da Marinha tailandesa.

Segundo as autoridades locais, a pausa de 10 horas – entre a segunda e a terça – foi necessária para repor o material utilizado na evacuação e avaliar as condições na caverna.

A missão final ocorreu nesta terça (10), num dia de fortes chuvas, que foram um “desafio maior”, apesar de os níveis de águas que inundam parte da caverna continuarem estáveis.

Por que 12 crianças foram parar numa caverna com um professor?
Surpreendidos por chuvas fortes características da época das monções, os meninos, com idade entre 11 e 16 anos, ficaram presos na caverna no último dia 23 de junho, durante uma excursão ao local guiada por seu técnico de futebol, de 25 anos.

O grupo ficou preso em uma gruta a mais de quatro quilômetros da entrada da caverna e, para ter acesso até onde estavam, foi preciso atravessar passagens parcialmente inundadas e fortes desníveis em condições de visibilidade nula. (Com informações da DW Brasil)