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O Reino Unido vai cortar financiamento de qualquer organização que não cumpra uma nova revisão em obras de caridade no exterior, disse a ministra de Assistência, Penny Mordaunt, descrevendo os relatos de exploração sexual no setor como “totalmente desprezíveis”. A informação é do jornal Folha de S. Paulo.

A Oxfam, uma das maiores instituições britânicas de caridade, condenou na sexta-feira (9/2) o comportamento de alguns ex-funcionários no Haiti após uma reportagem ter dito que os trabalhadores humanitários pagaram por sexo enquanto estavam em missão para ajudar a população afetada por um terremoto, em 2010.

Mordaunt disse que escreveria para instituições britânicas de caridade que trabalham no exterior exigindo que declarem quaisquer problemas relacionados com o dever que eles têm de proteger seus funcionários e as pessoas com quem trabalham de danos e abusos – a chamada “salvaguarda”.

A ministra também deseja que as instituições assegurem que todas as preocupações históricas tenham sido adequadamente tratadas, além de especificar suas políticas para lidar com esses casos. De acordo com a reportagem, ela vai se encontrar com o regulador de caridade nesta semana.

“No que diz respeito à Oxfam e a qualquer outra organização que tenha problemas de salvaguarda, esperamos que eles cooperem plenamente com essas autoridades. Deixaremos de financiar qualquer organização que não o fizer”, disse Mordaunt em um comunicado.

Outro lado
Em uma declaração na sexta (9), a Oxfam não confirmou nem negou a reportagem do jornal Times, mas disse que as descobertas “se relacionavam com ofensas, incluindo bullying, assédio, intimidação e falha na proteção do pessoal, além de má conduta sexual”.

Respondendo aos comentários de Mordaunt, a presidente do conselho da Oxfam, Caroline Thomson, disse compartilhar da “raiva e vergonha que um comportamento como esse destacado no Haiti tenha acontecido na organização”.

“O abuso sexual é uma praga na sociedade e a Oxfam não é imune”, disse Thomson. “Não é suficiente ficar consternado com o comportamento de nossos antigos funcionários – devemos e vamos aprender com isso e usar como um incentivo para a melhoria”, afirmou.

De acordo com o texto, a presidente declarou que, como resultado direto da reportagem do Times, os membros da equipe levantaram preocupações sobre como os funcionários no Haiti foram avaliados e recrutados. Caroline Thompson informou ainda que a instituição estava apresentando um pacote de medidas para fortalecer sua busca por pessoal, particularmente em emergências, onde precisava recrutar recursos humanos rapidamente, e acrescentou que as melhorias significativas foram feitas a partir de 2011.