AIEA confirma danos parciais em usina nuclear de Natanz, no Irã
Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), não se esperam consequências radiológicas, apesar dos danos
atualizado
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A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou, nesta terça-feira (3/3), que edifícios de entrada da Usina de Enriquecimento de Combustível de Natanz, no Irã, sofreram danos parciais. De acordo com o órgão, a análise foi feita com bases em imagens de satélite.
Apesar dos danos, a Agência aponta que não se esperam consequência radiológicas, e nenhum impacto adicional foi detectado na própria usina, que já havia sido danificada durante um conflito no último mês de junho.
Based on the latest available satellite imagery, IAEA can now confirm some recent damage to entrance buildings of Iran’s underground Natanz Fuel Enrichment Plant (FEP). No radiological consequence expected and no additional impact detected at FEP itself, which was severely… pic.twitter.com/7CS7BRZo1s
— IAEA – International Atomic Energy Agency ⚛️ (@iaeaorg) March 3, 2026
De acordo com o embaixador do Irã na AIEA, Reza Najafi, a instalação de enriquecimento foi alvo de ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel nessa segunda-feira (2/3).
Instalações nuclereares
Nessa segunda, o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica, ligada às Nações Unidas, Rafael Grossi, chegou a afirmar que não havia nenhum indício de que as instalações nucleares iranianas foram atingidas pelo ataque dos Estados Unidos e de Israel ao país.
“Até o momento, não foi detectada nenhuma elevação dos níveis de radiação acima dos níveis normais de radiação de fundo nos países que fazem fronteira com o Irã”, disse após sessão especial do Conselho de Administração.
“Em relação ao status das instalações nucleares no Irã, até o momento, não temos indícios de que qualquer uma delas, incluindo a Usina Nuclear de Bushehr, o Reator de Pesquisa de Teerã ou outras instalações do ciclo do combustível nuclear, tenha sido danificada ou atingida”, completou.
Segundo o diretor, a rede regional de monitoramento de segurança foi colocada em alerta. No entanto, até o momento, eles não conseguiram contato com as autoridades reguladoras nucleares iranianas por meio da Comissão de Energia Irlandesa (IEC).
Rafael Grossi aproveitou para ressaltar a importância de encontrar uma resposta diplomática para a questão. “Como sabem, tenho estado intimamente envolvido no apoio aos esforços para encontrar uma solução diplomática para o impasse em torno do programa nuclear iraniano”, destacou. “Continuo convicto de que a solução duradoura para esta discórdia de longa data reside na mesa diplomática”, completou.
Conflito no Oriente Médio
A guerra protagonizada pelos Estados Unidos, por Irã e Israel entra em seu quarto dia nesta terça-feira (3/3) após o fim de semana de crescentes hostilidades. O confronto impactou diretamente ao menos 11 países e promete se estender pelos próximos dias.
O conflito começou a escalar no sábado (28/2), após um ataque coordenado por Washington e Tel Aviv, que resultou na morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei. Em retaliação, Teerã lançou ofensivas contra bases militares americanas instaladas no Oriente Médio.
Até o momento, o saldo é de centenas de mortos e um rastro de destruição em diferentes países. Segundo a mídia estatal iraniana, a ofensiva de sábado deixou ao menos 200 mortos e mais de 700 feridos. Em Israel, nove morreram e cerca de 20 ficaram feridos em um bombardeio de Teerã a um prédio residencial.
Os ataques retaliatórios do Irã alcançaram ao menos nove países. São eles: Bahrein, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Iraque, Jordânia e Omã. Os Emirados Árabes informaram três óbitos decorrentes da ofensiva iraniana, enquanto, no Kuwait, uma pessoa morreu. No Bahrein, destroços de um míssil interceptado causaram a morte de um trabalhador.
