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Minas Gerais

Zoo de BH promove ação para alertar sobre tráfico de animais silvestres

O bate-papo “Tráfico de fauna silvestre: uma ameaça à biodiversidade!” será realizado das 9h às 11h e das 14h às 16h

23/06/2026 19:40
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Divulgação/Suziane Brugnara
Picolé de carne da onça parda

Belo Horizonte – O Jardim Zoológico de Belo Horizonte, administrado pela Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica, realiza nesta quinta-feira (25/6) uma atividade especial em alusão ao Dia Internacional contra o Tráfico de Fauna Silvestre. A programação inclui o bate-papo “Tráfico de fauna silvestre: uma ameaça à biodiversidade!”, que será realizado próximo à Casa dos Répteis, em dois horários: das 9h às 11h e das 14h às 16h.

A iniciativa busca conscientizar os visitantes sobre os prejuízos causados pelo comércio ilegal de animais para a biodiversidade e também para a sociedade. Durante a ação, o público poderá conferir uma pequena exposição com fotografias e materiais apreendidos por órgãos de fiscalização em operações de combate ao tráfico de fauna.

De acordo com a bióloga Rízzia Botelho, a proposta também é mostrar como os zoológicos contribuem para a preservação das espécies silvestres. Segundo ela, esses espaços desempenham papel importante na formação de cidadãos mais conscientes e engajados no enfrentamento desse tipo de crime.

A especialista explica ainda que a data foi criada pela Associação Latino-Americana de Parques Zoológicos e Aquários (Alpza), entidade da qual o Zoológico de Belo Horizonte faz parte. A iniciativa considera a relevância da América Latina como uma das regiões com maior diversidade biológica do planeta e destaca a necessidade de fortalecer ações de proteção diante das ameaças impostas pelo tráfico de animais.

Reabilitação de animais apreendidos

O Zoo de BH atua em parceria com órgãos responsáveis pela fiscalização ambiental, recebendo animais resgatados em operações contra o tráfico para tratamento e reabilitação. Atualmente, cerca de 86% dos psitacídeos sob cuidados da instituição, grupo que inclui papagaios, araras e periquitos, chegaram ao local após apreensões. Entre os passarinhos, esse percentual é de aproximadamente 80%.

Os animais são encaminhados ao zoológico pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), vinculado ao Ibama e ao Instituto Estadual de Florestas (IEF).

Zoo de BH promove ação para alertar sobre tráfico de animais silvestres - destaque galeria
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 Entre as aves, destacam-se os psitacídeos, como papagaios e araras
Picolé de carne da onça parda
Jabuti se lambuzando com a melancia congelada
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Jabuti se lambuzando com a melancia congelada

Divulgação/Suziane Brugnara
 Entre as aves, destacam-se os psitacídeos, como papagaios e araras
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Entre as aves, destacam-se os psitacídeos, como papagaios e araras

Divulgação/ Suziane Fonseca
Picolé de carne da onça parda
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Picolé de carne da onça parda

Divulgação/Suziane Brugnara

Crime movimenta mercado ilegal em todo o mundo

Considerado um dos crimes mais lucrativos e disseminados globalmente, o tráfico de fauna silvestre figura ao lado dos mercados ilegais de drogas, armas e pessoas. Todos os anos, milhões de animais são retirados de seus habitats naturais, e grande parte deles não sobrevive ao transporte até o destino final.

Dados da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas) apontam que aproximadamente 38 milhões de animais são capturados ilegalmente na natureza brasileira a cada ano.

O problema tem impactos ainda mais severos no Brasil, país reconhecido por possuir a maior biodiversidade do mundo, com mais de 124 mil espécies de fauna e cerca de 44 mil espécies de flora. A retirada desses animais compromete o equilíbrio ecológico e ameaça a sobrevivência de espécies essenciais para os ecossistemas.

Embora o país conte com legislações específicas para combater essa prática, como a Lei de Proteção à Fauna (5.197/67) e a Lei de Crimes Ambientais (9.605/98), especialistas apontam desafios na fiscalização e na aplicação das penalidades, o que contribui para a continuidade do comércio ilegal.

O tráfico de animais silvestres atende a diferentes mercados e interesses. Entre as principais modalidades estão: produção de itens e artesanato, animais de estimação, colecionismo, pesquisa ilegal e biopirataria.

Especialistas alertam que o comércio legal de animais silvestres pode contribuir indiretamente para estimular o tráfico ao aumentar o interesse da população por esse tipo de animal. Muitas pessoas acabam recorrendo ao mercado clandestino em busca de preços mais baixos, sem perceber que estão incentivando uma atividade criminosa.

Quem tiver informações sobre venda ou criação irregular de animais silvestres pode denunciar o caso ao Ibama por meio da Linha Verde, no telefone 0800 061 8080. Situações emergenciais também podem ser comunicadas à Polícia Militar Ambiental pelo número 190.

As denúncias são consideradas fundamentais para combater o tráfico e proteger a biodiversidade brasileira.