Yayoi Kusama deixa legado em MG; conheça suas obras no Inhotim
O Inhotim reúne três obras da artista japonesa, incluindo duas instalações imersivas e uma galeria; Yayoi Kusama faleceu aos 97 anos

Belo Horizonte — O Instituto Inhotim, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, lamentou nesta quinta-feira (27/8) a morte da artista japonesa Yayoi Kusama, aos 97 anos. Um dos principais nomes da arte contemporânea mundial, ela possui uma galeria permanente dedicada ao seu trabalho no museu mineiro, além de uma obra instalada a céu aberto.
“O Inhotim sente muito a morte de Yayoi Kusama. Kusama foi uma grande artista: transformou a cultura e multiplicou ao infinito sua percepção de mundo, em obras que atravessarão os tempos”, afirmou o instituto.
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A morte de Kusama foi anunciada pelo museu e pela fundação que levam o nome da artista. Ela morreu em um hospital de Tóquio em 14 de agosto. A causa não foi divulgada. Segundo o comunicado, Kusama continuou pintando até os últimos dias de vida.
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Inaugurada em 2023, a Galeria Yayoi Kusama fica no Eixo Laranja do Inhotim e ocupa uma área de 1.436,97 m². O espaço, projetado pelos arquitetos Fernando Maculan e Maria Paz, abriga duas instalações imersivas da artista: I’m Here, But Nothing (2000) e Aftermath of Obliteration of Eternity (2009).
Em I’m Here, But Nothing (Estou Aqui, Mas Não Há Nada), um ambiente doméstico iluminado por luz negra é coberto por pontos brilhantes e coloridos, em referência ao conceito de “auto-obliteração” desenvolvido por Kusama.
Já Aftermath of Obliteration of Eternity (Consequências da Eliminação da Eternidade) utiliza espelhos e luzes para criar a sensação de uma imagem que se prolonga infinitamente. A obra trata da fugacidade da vida e faz referência também à espiritualidade e à ligação com os ancestrais na tradição japonesa.
Outra obra de Kusama pode ser vista a céu aberto no Eixo Rosa. Em referência ao mito de Narciso, que se encanta pela própria imagem refletida na água, Narcissus Garden (1966/2009), em tradução Jardim de Narciso, reúne 750 esferas de aço inoxidável sobre um espelho d’água na cobertura do Centro de Educação e Cultura Burle Marx.
Segundo a própria artista, a instalação se comporta como um “tapete cinético”: com a ação do vento, as esferas se movimentam e formam diferentes agrupamentos em meio à vegetação aquática.

A obra é uma versão da intervenção realizada por Kusama na 33ª Bienal de Veneza, em 1966. Sem fazer parte oficialmente da programação, a artista espalhou clandestinamente 1,5 mil esferas espelhadas ao lado do pavilhão da Itália e passou a colocá-las à venda. Duas placas acompanhavam a intervenção, uma delas com os dizeres “Seu narcisismo à venda”.
“Rainha das bolinhas”
Nascida em 1929, no Japão, Yayoi Kusama tornou-se mundialmente conhecida pelo uso recorrente de bolinhas e padrões repetitivos em pinturas, esculturas, performances e instalações, característica que lhe rendeu o apelido de “rainha das bolinhas”.
No início da formação artística, estudou a pintura tradicional japonesa Nihonga, em Kyoto. Insatisfeita com as limitações artísticas e sociais que encontrava no país, mudou-se para os Estados Unidos na década de 1950 e ganhou projeção no cenário artístico de Nova York.
Ao longo da carreira, sua produção recebeu influências de movimentos como Expressionismo Abstrato, Surrealismo, Minimalismo e Pop Art e passou por pinturas, esculturas, performances e grandes instalações imersivas.
No Brasil, Kusama também alcançou grande público com a exposição Obsessão infinita. Em 2014, a passagem da mostra pelo Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de Brasília recebeu 471,7 mil visitantes e foi considerada uma das exposições mais visitadas do mundo naquele ano.















