Voluntários resgatam galinhas de enchente em MG: “Também sentem medo”
O Grupo de Resposta a Animais em Desastres (Grad) afirmou que animais de produção, como as galinhas, são invisibilizados durante desastres
atualizado
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Enquanto equipes de resgate atuavam para salvar moradores ilhados pelas chuvas em Minas Gerais, uma operação paralela chamou atenção em meio aos escombros e à lama: o salvamento de galinhas ameaçadas pelas enchentes e pelo risco de desabamento.
A ação foi realizada pelo Grupo de Resposta a Animais em Desastres (Grad) durante missão em Juiz de Fora, cidade atingida por temporais nos últimos dias. Segundo os voluntários, o resgate exigiu rapidez, técnica e precisão — e aconteceu por pouco.
“Havia um prazo que desconhecíamos, e ele era curto”, relatou a equipe. Minutos após a retirada das aves, o barranco ao lado da residência cedeu completamente.
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Invisíveis nas tragédias
Animais de produção raramente aparecem nas manchetes em cenários de desastre. Em meio à prioridade por salvar vidas humanas e pets domésticos, galinhas, porcos, cabras e outros animais criados para subsistência costumam ser deixados para trás.
Mas, segundo o Grad, eles também enfrentam medo, fome, exposição ao frio, risco de afogamento e abandono.
“Cada vida importa, independentemente da espécie”, afirma o grupo, que atua em ocorrências de enchentes, deslizamentos e rompimentos de barragens pelo país.
Operação delicada
O resgate de aves, embora possa parecer simples, demanda manejo técnico específico. As galinhas são sensíveis ao estresse e fisicamente frágeis, o que exige contenção adequada e transporte seguro para evitar fraturas ou choques térmicos.
Em áreas alagadas ou com risco de deslizamento, o desafio é ainda maior. No caso da operação em Juiz de Fora, o terreno instável aumentava o risco para os próprios voluntários.
Mesmo assim, a equipe seguiu na linha de frente. “Eles precisam de nós”, afirmou o Grad, por meio das redes sociais.
