Violência, corrupção e obras paradas preocupam mineiros, mostra pesquisa
Levantamento ouviu moradores de 515 cidades; na Grande BH, violência urbana e população em situação de rua estão entre as principais queixas

Belo Horizonte – Violência urbana, obras públicas paralisadas, corrupção e falta de atendimento na saúde estão entre os principais problemas percebidos pelos moradores de Minas Gerais. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), a preocupação com a criminalidade e a população em situação de rua ganha ainda mais força.
Os dados estão em um levantamento do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG)
O diagnóstico faz parte do projeto Você no Controle, iniciativa criada para identificar as principais demandas da população e utilizar as informações no planejamento das fiscalizações do Tribunal. A consulta foi realizada durante 153 dias, entre 14 de abril e 13 de setembro deste ano, e também gerou 2.095 manifestações abertas.
Entre os problemas específicos que afetam o cotidiano dos mineiros, a violência urbana e a criminalidade aparecem em primeiro lugar, com 2.551 votos. Na sequência, estão obras paralisadas ou atrasadas, com 2.528 menções; combate à corrupção, com 2.488; e acolhimento de pessoas em situação de rua, com 2.472.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesQuando os participantes foram questionados sobre as grandes áreas que precisam de atenção do poder público, a saúde liderou o levantamento, com 2.345 votos. Obras e infraestrutura aparecem em segundo lugar, com 1.417, seguidas por educação (1.384) e gestão fiscal e governança (1.361).

Os resultados foram apresentados pelo TCE-MG na terça-feira (3/11), durante coletiva de imprensa na sede do órgão, em Belo Horizonte.
Grande BH concentra quase metade das participações
A Região Metropolitana de Belo Horizonte teve participação expressiva na consulta: foram 2.171 registros, o equivalente a 49,61% do total recebido pelo Tribunal.
Na região, violência urbana e criminalidade aparecem entre as principais preocupações, com 66,32% das menções. O acolhimento de pessoas em situação de rua também se destaca, com 66,21%. Outro problema recorrente é a existência de obras paralisadas ou atrasadas, apontadas por 63,69% dos participantes.
O resultado mostra um perfil de demandas marcado pela segurança pública, pela vulnerabilidade social e pelos problemas de infraestrutura urbana.
As obras paralisadas também aparecem com destaque em outras partes do estado. O problema alcança 61,68% das menções no Campo das Vertentes e 58,97% no Jequitinhonha.
Saúde lidera preocupação dos mineiros
Apesar das diferenças entre as regiões, a saúde pública aparece como uma preocupação disseminada pelo território mineiro. A dificuldade para agendar consultas, cirurgias e exames está entre os problemas mais citados em sete das 12 mesorregiões analisadas e lidera o ranking em cinco delas.
No Vale do Mucuri, por exemplo, a dificuldade de acesso aos atendimentos foi mencionada por 68,42% dos participantes.
A falta de médicos especialistas também aparece entre as principais reclamações. Segundo o diretor de Auditoria e Avaliação de Políticas Públicas do TCE-MG, Thiago Henrique da Silva, a intensidade dos problemas varia de acordo com a realidade de cada região.
“Embora saúde e infraestrutura possam ser apontadas como gargalos universais em todas as regiões de Minas Gerais, a intensidade de problemas nessas áreas varia de acordo com cada território do estado”, explicou.
Coleta de lixo chega a 90% das menções no Noroeste
Outro dado que chama a atenção no levantamento é a preocupação com a coleta e a destinação adequada do lixo. O tema aparece entre as três principais demandas de quatro mesorregiões e alcança o maior percentual registrado em uma questão específica de toda a pesquisa: 90% das menções no Noroeste de Minas.
O resultado evidencia que, além de questões como segurança e saúde, problemas relacionados aos serviços básicos de infraestrutura e saneamento continuam presentes no cotidiano de moradores do interior.
Dados vão orientar fiscalizações do Tribunal
O levantamento integra o projeto Você no Controle, criado pelo TCE-MG para ampliar a participação popular na definição dos temas que devem receber atenção nas auditorias e nos monitoramentos do órgão.
A consulta combinou um formulário eletrônico com atividades presenciais, estratégia adotada para alcançar públicos diferentes e ampliar a participação de moradores de diversas regiões.
“Os dados do projeto Você no Controle oferecem ao Tribunal uma base empírica e qualificada para contribuir no direcionamento das auditorias e monitoramentos, assegurando que o controle externo atue em estrita consonância com as demandas sociais”, afirmou o presidente do TCE-MG, conselheiro Durval Ângelo.

Segundo o presidente, as informações serão utilizadas como subsídio adicional para o planejamento das fiscalizações. O diretor Thiago Silva também destacou que a iniciativa permite aproximar o trabalho do Tribunal das necessidades apontadas pela população.
O levantamento recebeu contribuições de moradores de 515 municípios, mas não representa uma pesquisa eleitoral ou uma amostra estatística da população mineira. Os números refletem as prioridades indicadas pelas pessoas que participaram voluntariamente da consulta.
Os resultados podem ser consultados no painel interativo do TCE-MG, que permite filtrar as informações por município, região, faixa etária e escolaridade dos participantes.




