Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Minas Gerais

Torcedores cruzeirenses são condenados por morte de atleticano em BH

Réus receberam penas de até 48 anos por ataque a ônibus em 2021; mandados de prisão foram cumpridos após o julgamento

30/07/2026 13:59
TJMG / Divulgaçãod
Três torcedores do Cruzeiro condenados pela morte de Atleticano

Belo Horizonte – Três torcedores do Cruzeiro foram condenados nessa quarta-feira (29/7) pela morte de um torcedor atleticano, de 20 anos. Eles foram condenados pelo homicídio qualificado da vítima. O caso ocorreu em novembro de 2021, no bairro Novo das Indústrias, na região do Barreiro, em Belo Horizonte, quando integrantes da torcida organizada do Cruzeiro atacaram um ônibus com torcedores do Clube Atlético Mineiro. Um deles também recebeu condenação por cinco tentativas de homicídio contra outros passageiros do coletivo.

Os três condenados já haviam sido julgados anteriormente. No entanto, as condenações foram anuladas após a Justiça reconhecer a existência de irregularidades processuais. Com isso, um novo julgamento foi realizado, e os réus respondiam ao processo em liberdade.

As penas fixadas foram de 48 anos e seis meses de prisão para o réu de 25 anos; 24 anos de detenção para o acusado de 28 anos e 20 anos de prisão para o condenado de 24 anos.

O julgamento foi conduzido pela 7ª Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri de Belo Horizonte. Atuaram no júri os promotores de Justiça Rodrigo Ladeira de Araújo Abreu, Janaíni Keilly Brandão Silveira e Luciano Sotero Santiago.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

Complexidade do caso

Segundo a promotora Janaíni Keilly Brandão, o caso apresentou elevado grau de complexidade por envolver integrantes de torcidas organizadas. Ela destacou que, além da violência contra os torcedores rivais, pessoas que apenas utilizavam o transporte coletivo também foram atacadas por estarem no mesmo ônibus. Conforme a promotora, os agressores utilizaram paus, pedras e bombas durante a ação.

Ao comentar o resultado, o promotor Rodrigo Ladeira ressaltou a complexidade do processo, que envolvia três acusados e diversas imputações relacionadas a homicídio consumado e tentativas de homicídio.

O promotor Luciano Sotero afirmou que a condenação representa uma resposta em respeito à vítima e à família. Segundo ele, o jovem foi morto em razão do ódio entre torcidas organizadas e a mãe aguardava por esse desfecho havia muito tempo.

Os jurados aceitaram todas as qualificadoras apresentadas pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Entre elas, o motivo torpe, o recurso que dificultou a defesa das vítimas, caracterizado pela emboscada,  e o emprego de meio cruel no homicídio consumado e em uma das tentativas de homicídio, quando houve utilização de fogo contra um passageiro.

Um quarto denunciado, que também seria submetido a julgamento, teve o processo desmembrado e será levado ao Tribunal do Júri em outra oportunidade.

Sobre o crime e a denúncia do MPMG

De acordo com a denúncia, os acusados prepararam uma emboscada contra integrantes de uma torcida organizada rival após a vitória do Atlético Mineiro sobre o Fluminense, no Estádio Mineirão. Eles sabiam que os torcedores retornariam ao Barreiro na linha de ônibus 6350 (Vilarinho/Barreiro) e ainda convocaram outros participantes que não foram identificados.

Para executar o ataque, os denunciados seguiram em um veículo com o objetivo de interceptar o ônibus, aguardando a chegada de outros integrantes da torcida. Depois de abordar o coletivo, passaram a ameaçar os ocupantes, afirmando que os rivais morreriam, e iniciaram a agressão utilizando pedras, bolas de sinuca, barras de ferro e pedaços de madeira.

Ainda conforme a denúncia, passageiros tentaram negociar a saída de idosos, crianças e pessoas que nem sequer haviam assistido à partida. Os acusados, porém, recusaram o pedido e afirmaram que ninguém deixaria o local com vida. Quem tentava escapar pelas janelas também era agredido.

Entre as vítimas estava o jovem de 20 anos, que não usava camisa de clube nem de torcida organizada. Ele sofreu graves agressões, chegou a ser socorrido e encaminhado para atendimento médico, mas morreu em consequência dos ferimentos.

Após o crime, os envolvidos tentaram fugir, mas acabaram presos pela Polícia Militar de Minas Gerais. No veículo utilizado para interceptar o ônibus, foram apreendidos três bastões de madeira, cinco artefatos explosivos de fabricação caseira, um soco inglês e fogos de artifício.

Com a sentença, a Justiça determinou a expedição imediata dos mandados de prisão. Os três condenados foram encaminhados ao Sistema Prisional.