Servidora do DER-MG é presa suspeita de receber propina para favorecer obra
Investigada por corrupção e outros crimes, servidora teria favorecido empresa responsável por empreendimento e obras em Uberlândia (MG)

Belo Horizonte — Uma servidora do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG), identificada como Patrícia Metz Peixoto, foi presa preventivamente, nesta quinta-feira (15/10), suspeita de favorecer uma empresa do ramo de loteamentos em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, em troca de propina.
Segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a investigada adquiriu um imóvel de R$ 1,5 milhão de um grupo empresarial beneficiado por sua atuação.
A prisão foi realizada pelo MPMG e pela Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG). A servidora é investigada pelos crimes de falsidade ideológica, sonegação de documento, advocacia administrativa e corrupção.
Além da prisão, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na residência da investigada e de apreensão do computador utilizado por ela no DER-MG.
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Segundo as investigações, um grupo empresarial do setor imobiliário tinha a obrigação de construir um trevo na rodovia LMG-503 como condição para implantar um empreendimento em Uberlândia.
Como a obra não foi executada dentro do prazo estabelecido, a Prefeitura de Uberlândia entrou na Justiça para exigir o cumprimento da obrigação.
O MPMG aponta que, em outubro de 2023, a servidora assinou um ofício que dava aparência de regularidade a um projeto alternativo de acesso à rodovia, embora a proposta ainda não tivesse sido aprovada pelo DER-MG.
No dia seguinte, a empresa apresentou o documento durante uma audiência judicial. O ofício serviu de base para um acordo que modificou a obrigação de construir o trevo originalmente prevista.
Servidora teria recebido imóvel de 1,5 milhão
As investigações também apontam que, em 2024, a servidora comprou um imóvel avaliado em R$ 1,5 milhão em um condomínio pertencente ao mesmo grupo empresarial.
Parte da dívida referente à aquisição teria sido quitada por empresas ligadas ao grupo, que emitiram recibos para justificar os pagamentos.
O caso começou a ser investigado por meio de um inquérito civil. Em junho de 2026, o Ministério Público solicitou ao DER-MG a íntegra dos processos administrativos relacionados ao empreendimento, mas recebeu apenas parte da documentação.
Segundo o órgão, a própria servidora teria determinado o envio incompleto dos documentos, o que levou à abertura de um procedimento investigatório criminal.
Ao decretar a prisão preventiva, a Justiça considerou a necessidade de interromper a continuidade dos pagamentos e preservar as provas.
O Juízo das Garantias da Comarca de Uberlândia também determinou a preservação de contas, e-mails e arquivos institucionais relacionados aos fatos investigados.
A investigação é conduzida pela 3ª Promotoria de Justiça de Uberlândia, responsável pela defesa do consumidor.
O Metrópoles procurou o DER-MG para manifestação, mas ainda não obteve retorno. O espaço permanece em aberto.
