
Rivais exploram inexperiência de Cleitinho para desgastá-lo em MG
Líder nas pesquisas nunca comandou prefeitura ou estado; adversários contrapõem popularidade nas redes à experiência administrativa

Belo Horizonte — Com a candidatura ao governo de Minas retomada após uma crise com o próprio partido, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) tornou-se de vez alvo dos adversários. O plano dos principais concorrentes para tentar frear o favorito é explorar sua falta de experiência no Executivo e apresentá-lo como um político mais preparado para as redes sociais do que para administrar o estado.
Cleitinho passou pela Câmara Municipal de Divinópolis, pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e chegou ao Senado em 2023. Mas nunca comandou uma prefeitura, secretaria ou governo. Essa lacuna começa a ser usada por candidatos que apresentam como credencial suas passagens por cargos executivos.
Além da falta de experiência administrativa, os adversários pretendem explorar as idas e vindas que marcaram a confirmação da candidatura e questionar a viabilidade financeira das propostas defendidas pelo senador. Cleitinho, por sua vez, tenta transformar os ataques em mais um elemento de sua imagem antissistema.
Como os rivais pretendem atacar Cleitinho
- Cleitinho exerceu mandatos de vereador, deputado estadual e senador, mas nunca comandou uma estrutura do Executivo;
- Adversários tentarão associar sua popularidade à produção de vídeos e questionar sua capacidade de transformar denúncias e promessas em políticas públicas;
- Medidas como a redução de tarifas de pedágio devem ser confrontadas com seus custos e fontes de financiamento;
- A crise com o Republicanos será usada para levantar dúvidas sobre firmeza, previsibilidade e capacidade de articulação;
- Kalil, Simões e Patrus vão apresentar suas experiências administrativas como contraponto;
- Resposta de Cleitinho: o senador aposta na proximidade com o eleitor, na renovação política e no discurso de que não pertencer à gestão tradicional é uma qualidade. Favorito nas pesquisas
Cleitinho lidera os cenários testados pelos principais institutos desde a pré-campanha. Na pesquisa Genial/Quaest divulgada em 28 de julho, apareceu com 35% das intenções de voto, seguido por Alexandre Kalil (PDT), com 12%, Patrus Ananias (PT), com 10%, e Mateus Simões (PSD), com 9%. Os três estavam tecnicamente empatados dentro da margem de erro.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA vantagem transforma Cleitinho no principal alvo da largada da campanha.
Segundo colocado na maioria dos cenários, Kalil já começou a fazer essa comparação publicamente. Prefeito de Belo Horizonte entre 2017 e 2022, ele recorre à passagem pelo Executivo municipal para questionar se Cleitinho está preparado para comandar um estado com 853 municípios.
“Ele [Cleitinho] vai falar o que pensa, eu falo o que eu já fiz”, disse Kalil durante sabatina promovida pela Folha de S.Paulo e pelo UOL nessa quinta-feira (13/8).
O ex-prefeito também citou ações de sua administração nas áreas de saúde, educação e segurança e lembrou que comandou um orçamento bilionário.
Simões cobra as contas
Com mais cuidado, porque ainda não abandonou completamente a possibilidade de contar com Cleitinho como aliado em um eventual segundo turno, Mateus Simões também começou a questionar a viabilidade das propostas do senador.
Em evento nesta semana, o governador lembrou que Cleitinho promete reduzir valores cobrados em pedágios e perguntou de onde viriam os recursos necessários para bancar a medida. O ataque busca deslocar o debate da popularidade da proposta para sua execução e seu impacto sobre as contas estaduais.
Simões apresenta como credencial a participação nos dois governos de Romeu Zema (Novo). Antes de assumir o governo, em março deste ano, foi secretário-geral do estado e vice-governador. Sua campanha pretende defender a continuidade da gestão e argumentar que Minas não pode ser entregue a alguém sem experiência administrativa.
Patrus busca recuperar a memória
Pelo lado do PT, Patrus Ananias também deve recorrer à experiência administrativa para se diferenciar de Cleitinho. O deputado federal foi prefeito de Belo Horizonte entre 1993 e 1996 e ministro do Desenvolvimento Social e do Combate à Fome durante o governo Lula.
Patrus pode apresentar programas sociais e sua passagem pela prefeitura como provas de capacidade de gestão. A dificuldade será recuperar essa trajetória na memória do eleitor: sua administração em BH terminou há três décadas, antes mesmo do nascimento de parte dos mineiros que votarão neste ano.
A presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha será usada para ampliar o conhecimento de Patrus e associá-lo às políticas sociais dos governos petistas. Ao contrário de Kalil, que evita declarar apoio presidencial, o candidato do PT pretende nacionalizar a disputa e se apresentar como representante direto de Lula em Minas.
Cleitinho tenta se vacinar
Cleitinho já percebeu o ataque. Ao confirmar sua candidatura na reta final, após o embate interno no Republicanos, mencionou espontaneamente “a experiência administrativa que alguns falam que eu não tenho”.
O senador tentou responder com um discurso de proximidade, renovação e defesa de um governo “mais humano”. Também afirmou que pretende preservar o que considera positivo na atual administração e corrigir o que, em sua avaliação, não funciona.
A resposta indica que Cleitinho não pretende competir com os currículos administrativos dos adversários. Sua aposta é convencer o eleitor de que a conexão com a população, a fiscalização dos governos e a trajetória fora das estruturas tradicionais compensam a ausência de experiência no Executivo.
Ataque pode beneficiar Cleitinho
A estratégia dos adversários não está livre de riscos. Ao insistirem conjuntamente na falta de experiência, Kalil, Simões e Patrus podem ajudar Cleitinho a reforçar justamente a imagem que o levou à liderança: a de um político diferente daqueles que já governaram.











