Quem era Ana Paula Rocha, advogada morta a tiros pelo ex-marido em MG
A advogada criminalista era conhecida em Governador Valadares pela atuação na defesa dos direitos das mulheres; OAB lamentou morte

Belo Horizonte — A morte da advogada Ana Paula Rocha, assassinada a tiros pelo ex-marido nessa terça-feira (16/6), provocou comoção em Governador Valadares, em Minas Gerais. A profissional era conhecida na cidade pela atuação na advocacia e pelo trabalho voltado à defesa dos direitos das mulheres.
Ana Paula foi morta em um estacionamento no centro do município. Segundo a Polícia Militar (PMMG), o autor dos disparos foi o ex-marido dela, Lucas Gomes Pinto, que também foi encontrado morto no local após atirar contra si mesmo.
Em nota de pesar, a Comissão da Mulher Advogada da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Governador Valadares destacou a trajetória profissional da advogada e o compromisso dela com causas ligadas à proteção das mulheres.
“Profissional dedicada, atuante na defesa dos direitos das mulheres e comprometida com a Justiça, Dra. Ana Paula deixa um legado de coragem, acolhimento e propósito”, afirmou a entidade.
A comissão também ressaltou que a advogada será lembrada pela atuação firme na profissão e pela forma como acolhia pessoas que buscavam assistência jurídica.
“Que sua memória permaneça como inspiração e que sua luta jamais seja esquecida”, conclui a nota.
Crime ocorreu após histórico de violência
Segundo a Polícia Militar, Ana Paula e o ex-marido estavam em processo de separação. A corporação informou que havia registros anteriores relacionados à violência doméstica envolvendo o casal.
De acordo com o tenente Maurício, da PM, a advogada procurou a polícia no último sábado (14/6) para denunciar o descumprimento de uma medida protetiva concedida pela Justiça.
Ainda segundo o militar, equipes da corporação chegaram a tentar realizar uma visita preventiva à vítima na manhã dessa terça-feira, como parte das ações de acompanhamento de casos de violência doméstica, mas ela não foi localizada.
Horas depois, Ana Paula foi morta ao chegar ao estacionamento onde costumava deixar o carro.
Testemunhas relataram que a advogada percebeu a presença do ex-marido e tentou sair do local, mas foi alcançada. Conforme a polícia, o homem efetuou os disparos contra a vítima e, em seguida, atirou contra si mesmo.
Comoção
A morte da advogada gerou manifestações de pesar entre colegas de profissão e entidades de defesa das mulheres.
O Grupo Mulheres do Brasil, núcleo de Governador Valadares, classificou o caso como feminicídio e afirmou que crimes desse tipo são resultado de uma violência que frequentemente apresenta sinais prévios e pedidos de socorro.
A entidade também prestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas de Ana Paula, destacando a necessidade de fortalecer a rede de proteção às mulheres vítimas de violência.
A Polícia Civil investiga o caso. Um revólver, munições e celulares foram recolhidos pela perícia para auxiliar na apuração.










