Prefeito Coronel Sandro (PL) tem mandato cassado em Valadares

Câmara aprovou perda do cargo de prefeito por 18 votos a 3 após sessão marcada por tensão, protestos e queda de energia

atualizado

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ALMG/Divulgação
Deputado Coronel Sandro (PSL-BH)
1 de 1 Deputado Coronel Sandro (PSL-BH) - Foto: ALMG/Divulgação

Belo Horizonte — O prefeito de Governador Valadares, Coronel Sandro (PL), teve o mandato cassado pela Câmara Municipal após sessão extraordinária realizada nesta quinta-feira (14/5). A votação terminou com 18 votos favoráveis à cassação e 3 contrários.

Os vereadores analisaram três infrações político-administrativas ligadas ao contrato do transporte escolar do município. Como o número de votos favoráveis superou os dois terços exigidos pela legislação, a perda do mandato foi confirmada.

A sessão começou pela manhã e reuniu os 21 parlamentares da Câmara. O julgamento foi marcado por momentos de tensão, manifestações do público, debates entre defesa e integrantes da Comissão Processante e até interrupção no fornecimento de energia elétrica.

Com a decisão, o vice-prefeito José Bonifácio Mourão (PL) assume o comando da prefeitura. A posse foi convocada para esta sexta-feira (15/5), às 10h, na Câmara Municipal.

Entenda o que levou à cassação

O processo teve origem em denúncia apresentada em fevereiro pelo empresário Fabiano Márcio da Silva, do setor de transportes.

Segundo a acusação analisada pelos vereadores, a prefeitura contratou o serviço de transporte escolar sem realizar licitação convencional, utilizando um modelo de credenciamento considerado inadequado para esse tipo de contrato.

A denúncia também aponta que a empresa começou a operar antes mesmo da assinatura oficial do contrato. Depois disso, a prefeitura teria autorizado um pagamento superior a R$ 2,7 milhões por meio de reconhecimento de dívida, para regularizar o período em que o serviço foi prestado sem cobertura contratual.

Outro ponto questionado foi o aumento no custo do transporte escolar. O processo cita suspeita de sobrepreço e crescimento expressivo da quilometragem diária percorrida pelos ônibus sem justificativa técnica apresentada durante a investigação.

Para a maioria dos vereadores, houve falhas no planejamento e irregularidades incompatíveis com o exercício do cargo de prefeito.

Durante a investigação, Coronel Sandro negou irregularidades e afirmou que o processo teria motivação política.

Sessão teve queda de energia

A galeria da Câmara Municipal registrou lotação máxima durante o julgamento. Segundo a Casa, o espaço comporta 100 pessoas, e parte do público precisou acompanhar a movimentação do lado de fora do plenário.

A Câmara informou que reforçou a segurança para a sessão, com a contratação de 10 agentes.

Durante a tarde, a reunião chegou a ser interrompida após uma queda de energia atingir tanto a prefeitura quanto a Câmara Municipal, que funciona anexa ao Executivo.

Mesmo sem eletricidade, os trabalhos continuaram com o uso de microfone portátil, caixa de som e lanternas durante a leitura das alegações finais da defesa.

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