PIB de Minas recua 0,5% e indica desaceleração econômica
Relatório da FIEMG aponta perda de ritmo da atividade econômica no início de 2026 e projeta crescimento de 1,6% no ano

Belo Horizonte – A economia de Minas Gerais começou 2026 em ritmo mais lento. De acordo com levantamento divulgado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), o Produto Interno Bruto (PIB) mineiro registrou retração de 0,5% no primeiro trimestre deste ano, na comparação com os três meses anteriores, já descontados os efeitos sazonais.
O resultado ficou abaixo do desempenho nacional, que avançou 1,1% no mesmo período, e reforça sinais de desaceleração da atividade econômica estadual. Em valores correntes, o PIB de Minas Gerais somou R$ 285,7 bilhões entre janeiro e março.
Agropecuária e indústria pressionam resultado
Os principais impactos negativos vieram da agropecuária e da indústria. O setor agropecuário apresentou queda de 9,9% na comparação trimestral, enquanto a indústria recuou 0,5%.
Dentro da indústria, a maior retração foi observada na atividade extrativa mineral, que caiu 5,4%, seguida pela construção civil, com leve redução de 0,2%. Por outro lado, a indústria de transformação avançou 0,4%, enquanto os segmentos de energia e saneamento cresceram 0,9%.
Segundo a análise da Fiemg, o desempenho desses setores foi determinante para o resultado negativo da economia mineira no início do ano.
Serviços sustentam a atividade econômica
Na contramão dos demais setores, os serviços foram o principal motor da economia estadual no primeiro trimestre. O segmento registrou crescimento de 0,7%, impulsionado principalmente pelo comércio, que avançou 0,8%, e por outros serviços, com alta de 0,6%.
O setor representa a maior parcela da economia mineira, respondendo por R$ 160,1 bilhões do PIB estadual no período. Já a indústria movimentou R$ 64,7 bilhões, enquanto a agropecuária respondeu por R$ 23,5 bilhões.
Na comparação com o mesmo período de 2025, os serviços também apresentaram expansão de 1,5%, ajudando a amenizar a retração geral da economia.
Minas cresce menos que o Brasil
Quando comparado ao primeiro trimestre do ano passado, o PIB de Minas Gerais apresentou queda de 0,7%. No mesmo intervalo, a economia brasileira registrou crescimento de 1,8%.
A agropecuária foi o setor que mais contribuiu para o resultado negativo, com retração de 15,6% na comparação anual. A indústria também apresentou queda de 0,5%, enquanto os serviços cresceram 1,5%.
Para a Fiemg, os números mostram que a economia mineira enfrenta um processo gradual de perda de dinamismo, observado em diferentes indicadores e bases de comparação.
Crescimento perde força nos últimos 12 meses
No acumulado dos quatro trimestres encerrados em março de 2026, o PIB de Minas Gerais registrou crescimento de 0,8%.
Embora positivo, o resultado representa desaceleração em relação aos períodos anteriores. Nesse intervalo, os serviços avançaram 1,5% e a agropecuária cresceu 0,7%, enquanto a indústria apresentou leve retração de 0,1%.
A indústria extrativa manteve desempenho positivo, com crescimento de 4,9%, mas o avanço não foi suficiente para compensar as perdas registradas na construção civil e nos setores de energia e saneamento.
Juros altos e cenário externo preocupam
A Fiemg avalia que a desaceleração deve continuar ao longo dos próximos meses. Entre os fatores que limitam o crescimento estão os juros elevados, as pressões inflacionárias, as incertezas do cenário internacional e a maior cautela dos empresários na realização de investimentos.
Por outro lado, o consumo das famílias ainda deve contribuir positivamente para a economia, sustentado pelo mercado de trabalho e por medidas de estímulo ao crédito e à renda.
Na indústria, a expectativa é de recuperação gradual da construção civil, impulsionada por programas habitacionais e investimentos em infraestrutura.
Fiemg projeta alta de 1,6% para 2026
Apesar dos desafios, a entidade mantém expectativa de crescimento para a economia mineira neste ano. A projeção da Fiemg é de expansão de 1,6% do PIB estadual em 2026.
A previsão considera crescimento de 2,0% da indústria, avanço de 1,5% dos serviços e alta de 0,9% da agropecuária.
O relatório também destaca que o desempenho da mineração pode ajudar a impulsionar a economia ao longo do ano. Entretanto, a desaceleração da economia chinesa e possíveis impactos climáticos provocados pelo fenômeno El Niño permanecem como fatores de risco para Minas Gerais nos próximos meses.


