Operação mira esquema milionário de lavagem de dinheiro em MG
PCMG cumpre mandados em 3 estados, bloqueia R$ 112 milhões e investiga grupo suspeito de usar carvão ilegal para lavar dinheiro
atualizado
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Belo Horizonte — A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) deflagrou, na manhã desta terça-feira (17/3), a operação Kodama para desarticular um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao setor de carvão vegetal. Ao todo, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão em Minas Gerais, no Distrito Federal e em Sergipe.
As investigações começaram após a identificação de indícios de uso de documentos ambientais falsos para encobrir a comercialização de carvão de origem ilegal — tanto de mata nativa quanto de plantações de eucalipto em situação irregular.
Segundo a PCMG, um grupo de investidores estrangeiros teria injetado recursos em empresas, principalmente no norte de Minas. Essas companhias seriam usadas para emitir notas fiscais, gerar créditos florestais e obter guias ambientais com informações incompatíveis com a real capacidade de produção — em alguns casos, superior à de empresas consolidadas no setor.
A apuração aponta para a existência de uma organização criminosa estruturada, com atuação em diferentes etapas da cadeia produtiva do carvão vegetal, incluindo áreas florestais, transporte e siderurgia.
Relatórios de inteligência financeira também identificaram dezenas de pessoas e empresas com movimentações suspeitas. Parte delas estaria registrada em nome de terceiros, os chamados “laranjas”, ou funcionaria como fachada para ocultar os verdadeiros responsáveis.
Danos ambientais e valores milionários
Durante as investigações, foram constatados impactos ambientais relevantes. Em uma das áreas fiscalizadas, quase 9 mil metros cúbicos de carvão vegetal estavam acobertados por documentação irregular — carga avaliada em cerca de R$ 3,4 milhões.
Com autorização da Justiça, foram determinadas diversas medidas, entre elas:
- mandados de busca e apreensão contra 24 alvos;
- bloqueio de bens e valores que podem ultrapassar R$ 112 milhões;
- restrição de veículos avaliados em mais de R$ 10 milhões;
- suspensão de registros de empresas e impedimento de emissão de documentos ambientais.
A operação busca reunir provas para responsabilizar os envolvidos e evitar a ocultação de patrimônio ao longo das investigações.
Os suspeitos podem responder por lavagem de dinheiro, associação criminosa e crimes ambientais.
De acordo com a Polícia Civil, o combate a esse tipo de prática é essencial diante do cenário de ilegalidade no setor. Estimativas indicam que entre 50% e 90% da madeira nativa extraída no país tem origem irregular, o que gera prejuízos bilionários — entre US$ 6 bilhões e US$ 9 bilhões por ano, segundo dados do Banco Mundial.
