Onça-parda é flagrada em condomínio na Grande BH e assusta moradores. Veja Vídeo
Animal circula próximo a residenciais e escola no Vale dos Cristais; especialistas apontam desmatamento e falta de planejamento urbano
atualizado
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Belo Horizonte – Um vídeo registrado no início da manhã do dia 9 de maio mostra uma onça-parda caminhando tranquilamente pela calçada de um condomínio na Rua das Constelações, no bairro Vale dos Cristais, em Nova Lima, Região Metropolitana de Belo Horizonte.
O felino passou próximo à guarita da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) e não registrou qualquer incidente com moradores ou animais domésticos.
A administração do condomínio reforçou o alerta aos residentes, recomendando redobrar a atenção, especialmente no início da manhã, final da tarde e à noite — horários de maior atividade do animal. Apesar da tranquilidade do momento registrado, a aparição acendeu o debate sobre a pressão do crescimento urbano nas áreas verdes da região.
Presença incomum em área densamente povoada
O local onde o felino foi avistado fica próximo a prédios residenciais que abrigam cerca de 5 mil pessoas e a poucos metros de uma escola com 2 mil alunos. O biólogo Thiago Gelape analisou as imagens e confirmou tratar-se de uma onça-parda, provavelmente um macho adulto, pelo porte e musculatura.
Moradores relatam nas redes sociais que avistamentos de animais silvestres têm se tornado cada vez mais frequentes no bairro. No início do ano, um lobo-guará foi visto na região, e em abril uma cobra chegou a interromper o trânsito.
Desmatamento e falta de corredores ecológicos
Especialistas vinculam o aumento desses encontros ao desmatamento acelerado da Mata Atlântica em Minas Gerais. Thiago explica que, embora a presença de onças-pardas seja comum em áreas de mata da região, avistamentos em meio urbano não são frequentes devido ao comportamento reservado do animal.
“Esse tipo de animal, felino de grande porte, geralmente procura fazendas por causa do gado e outros animais domésticos criados livres, que são presas mais fáceis. Eles são animais de mata, aparecer no meio da rua não é comum”, afirmou o biólogo.
Críticas à gestão pública e ao modelo de ocupação
A engenheira ambiental Isadora Aguilar, 39 anos, faz duras críticas à forma como o poder público tem conduzido o crescimento urbano na Região Metropolitana de Belo Horizonte:
“Eu acredito que esse animais de grande porte estão ficando sem áreas (já que eles ocupam uma extensa região) e não tem uma orientação adequada aos moradores. As construções são licenciadas de forma desordenada. A fiscalização dentro do órgão municipal, quando existe denúncia, encontra a construção já está em andamento. O poder público falha, a população que não entende que está ocupando o espaço do animal.”
A engenheira destaca ainda a necessidade urgente de uma educação ambiental mais robusta: “A população quer morar perto da natureza, mas não permite que os animais silvestres que moravam ali antes da construção circulem pelo local. Existe uma incoerência: procuram qualidade de vida perto da natureza, mas acabam degradando essa mesma natureza? ”, questiona.

Isadora aponta ainda a precariedade dos órgãos ambientais, tanto municipais quanto estaduais, na análise de licenciamentos e no acompanhamento de denúncias de degradação. “Falta material humano e equipamento para monitorar. Não existe a possibilidade de interromper o crescimento urbano, mas ele deve ser feito de forma adequada, com trabalho forte de educação ambiental e respeito.”, enfatizou.
Recomendações das autoridades
As orientações são claras: caso aviste uma onça-parda ou outro animal silvestre de grande porte, acione imediatamente o Corpo de Bombeiros (193) ou a Polícia Militar Ambiental (181 ou 190). Nunca se aproxime, tente capturar ou afugentar o animal, pois ele pode reagir e se sentir ameaçado.
Até o momento, não há registro de captura ou novos avistamentos do felino no condomínio. A aparição serve como alerta para a importância da preservação de áreas verdes e da criação de corredores ecológicos que permitam a convivência harmoniosa entre o avanço urbano e a fauna silvestre.
