Nikolas critica performances em ato LGBTQIA+ na Câmara de BH
Deputado federal Nikolas Ferreira afirmou que, quando era vereador, as homenagens eram a membros do Bope indiciados por tortura e execução
Belo Horizonte – O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) criticou a realização de uma homenagem na Câmara de Belo Horizonte (CMBH), nessa segunda-feira (22/6), ao Dia do Orgulho LGBTQIAPN+. A solenidade no Legislativo municipal foi de autoria do vereador Pedro Patrus (PT), o qual disse que é preciso mostrar que o mundo não gira em torno de moralismos e reafirmar que os direitos sociais são inegociáveis.
“Quando eu era vereador, nesse mesmo local, eu dei honra ao mérito ao BOPE, por ter abatido 26 criminosos em Varginha e a imprensa e esquerda fizeram um escândalo. Hoje, acontece isso na câmara de BH. Seu dinheiro sendo bem gasto”, publicou Nikolas em suas redes sociais.
Patrus afirmou que o bolsonarista prefere exaltar a violência e que os vereadores que estiveram na homenagem preferem homenagear o amor. As vereadoras Iza Lourença (Psol) e Juhlia Santos (Psol) também participaram da cerimônia.
O caso de Varginha, ao qual o deputado bolsonarista se refere, ocorreu em outubro de 2021, quando uma operação do Batalhão de Operações Especiais (BOPE), a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) acabou com a morte de 26 pessoas que eram suspeitas de fazer parte de uma quadrilha do “novo cangaço”.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA Polícia Federal (PF) realizou, durante dois anos, um processo de investigação que apontou inconsistências nas versões apresentadas pelos agentes que participaram da operação. O entendimento é de que não houve resistência e que os agentes das forças de segurança teriam simulado um tiroteio, mas que os criminosos estavam desarmados e que muitos foram executados com tiros nas costas.
Um relatório encaminhado à Justiça Federal pede o indiciamento de 39 policiais por diversos crimes, como tortura, homicídio qualificado e fraude processual.
Leia na íntegra a nota de Pedro Patrus
Nós já fizemos dezenas de celebrações como essas no mês do Orgulho na Câmara. É um momento de promover visibilidade à luta de uma população que é morta todos os dias pelo preconceito, pelo ódio e pela falta de oportunidades. É óbvio que Nikolas seria contra. Afinal, ele acha bonito exaltar violência e chacina, o que tem muito a ver com a turma dele que homenageia milicianos. Nós preferimos continuar homenageando o amor e celebrando a vida, sobretudo em uma Câmara composta por uma maioria que claramente persegue a população LGBTQIAPN+. É preciso mostrar para esses parlamentares que o mundo não gira em torno de seus moralismos e reafirmar que direitos sociais são inegociáveis.



