
Na Justiça, Janones acusa Nikolas de comprar votos jogando picanha
Ação acusa o deputado de captação ilícita de votos e pede que ele seja proibido de distribuir alimentos durante a campanha

Belo Horizonte — O deputado federal André Janones (Rede-MG), que é candidato à reeleição, acionou o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) contra o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) pelo episódio em que o parlamentar jogou uma peça de picanha para apoiadores durante um ato de campanha ao lado do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) na última semana.
Na ação, protocolada nessa terça-feira (29/9), Janones acusa Nikolas de captação ilícita de votos, propaganda eleitoral irregular e abuso de poder econômico. Ele pede à Justiça Eleitoral a cassação do registro ou do diploma do adversário, além da aplicação de multas.
O episódio ocorreu na noite de 24 de setembro, em Governador Valadares, no Vale do Rio Doce. Nikolas e Flávio participavam de um ato do chamado “Bloquinho do Nikolas”.
Durante o evento, Nikolas ergueu uma peça de picanha enquanto Flávio afirmava: “A picanha do Bolsonaro chega, a do Lula não chega”. Na sequência, o deputado mineiro lançou a carne em direção ao público.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“O Lula não deu picanha, mas o Flávio deu. Toma aí”, disse Nikolas antes do arremesso. Imagens mostram apoiadores disputando a peça.
Pedido de cassação
Na representação, Janones sustenta que o episódio deixou de ser apenas uma provocação política contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) porque houve a entrega efetiva de um produto aos eleitores presentes no ato.
Segundo a ação, a picanha foi exibida e distribuída em um contexto explicitamente eleitoral, acompanhada de declarações que associavam o alimento à candidatura de Flávio Bolsonaro.
“A ligação estabelecida no caso sob exame foi pública e explícita”, afirmam os advogados de Janones.
O aliado do presidente Lula (PT) argumenta que a conduta pode ser enquadrada no artigo 41-A da Lei das Eleições, que proíbe candidatos de doar, oferecer ou entregar bens ou vantagens a eleitores com a finalidade de obter votos. É o que a lei considera compra de votos.
Proibição de distribuir alimentos
Em caráter liminar, Janones pede que Nikolas seja proibido, até o fim das eleições, de distribuir, doar, oferecer ou arremessar carnes, cestas básicas, alimentos ou outros bens durante atos de campanha em todo o país.
A petição atribui a Nikolas e Flávio Bolsonaro uma atuação conjunta. Segundo Janones, Nikolas teria jogado a picanha enquanto o candidato à presidência associava a entrega da picanha à própria campanha.
O documento chega a pedir a aplicação de punições aos “representados” e sustenta que Flávio teria sido o beneficiário eleitoral da conduta.
Apesar disso, na relação de partes cadastradas no processo, apenas Nikolas Ferreira aparece formalmente como representado. Flávio Bolsonaro não consta.
Nikolas não se manifestou até a publicação desta reportagem.



