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Minas Gerais

MPF denuncia família de MG por envio ilegal de 673 brasileiros aos EUA

Grupo seria liderado por integrantes de uma família de Governador Valadares, em MG, e teria movimentado mais de R$ 40 milhões

26/08/2026 09:48
José Cruz/Agência Brasil
Imagem mostra sede nacional do MPF, procuradoria-geral da república - Metrópoles | supersalários

Belo Horizonte — O Ministério Público Federal (MPF) denunciou 12 pessoas por envolvimento em uma organização criminosa especializada no envio ilegal de brasileiros aos Estados Unidos. Segundo as investigações, o esquema era liderado por integrantes de uma mesma família de Governador Valadares, em Minas Gerais.

Entre 2017 e 2023, o grupo teria viabilizado a entrada clandestina de ao menos 673 brasileiros nos Estados Unidos, em um esquema que teria movimentado mais de R$ 40 milhões.

De acordo com a investigação, os suspeitos cobravam entre R$ 50 mil e R$ 100 mil de cada migrante para organizar a viagem e a travessia clandestina da fronteira entre o México e os Estados Unidos.

A denúncia foi apresentada à Justiça na semana passada. Os 12 acusados respondem em liberdade e foram denunciados por crimes como organização criminosa transnacional, contrabando de migrantes, uso de documento falso e lavagem de dinheiro.

Esquema familiar

Segundo o MPF, dois irmãos de Governador Valadares são apontados como líderes da organização. Eles seriam responsáveis pela captação dos interessados em migrar ilegalmente e pela logística até a fronteira mexicana com os Estados Unidos.

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A investigação identificou mais de 300 operações bancárias feitas diretamente por migrantes para os irmãos. Parte do dinheiro, segundo os investigadores, circulava por contas abertas com documentos falsos ou registradas em nome de terceiros.

O pai dos dois também teria participado do esquema. Outros familiares são apontados como responsáveis por auxiliar na lavagem dos valores obtidos com as travessias. Cinco dos 12 denunciados pertencem à mesma família.

Além dos pagamentos em dinheiro, os migrantes teriam sido obrigados a entregar veículos, assinar notas promissórias e termos de confissão de dívida e conceder procurações que permitiam a alienação de imóveis em favor de operadores do esquema.

Segundo a investigação, os integrantes da organização também exigiam que os migrantes gravassem vídeos após a viagem, com depoimentos de agradecimento e elogios ao serviço. O material era usado posteriormente para atrair novos interessados.

Crianças nas travessias

Os investigadores apontaram ainda que adultos eram incentivados a viajar acompanhados de crianças como estratégia para tentar reduzir o risco de deportação ao chegarem aos Estados Unidos.

A Operação Siblings, deflagrada pela Polícia Federal para investigar o esquema, identificou que, entre os migrantes relacionados ao grupo, ao menos 223 eram menores de idade.

A operação foi deflagrada em fevereiro de 2025, em Governador Valadares. Na ocasião, houve prisões e apreensão de bens e valores durante o cumprimento das medidas judiciais.

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