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Minas Gerais

MG: acidentes com pipas com cerol avançam e brincadeira fica perigosa

A orientação é que a atividade de empinar pipa seja realizada em locais abertos, afastados do tráfego de veículos e sem uso do cerol

Elanilza Carneiro11/06/2026 03:00, atualizado 10/06/2026 18:37
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Divulgação/Polícia Civil
Imagem colorida mostra menina que morreu com pescoço cortado por linha de pipa. Metrópoles

Belo Horizonte – A época é de pipas nos céus. A brincadeira clássica que envolve pais e filhos geralmente ganha força perto do mês de julho, por causa das férias escolares, e no mês de agosto por ser um período com muito vento. Esse período acende o alerta para o uso proibido das linhas com cerol, também conhecidas como linhas chilenas. Só este ano a redes estadual de saúde de MG atendeu 12 casos graves de acidente com cerol e a rede municipal de BH registrou 22 casos.

O potencial de dano é significativamente maior com a mistura de cola e vidro moído que é aplicada em linhas de pipas para aumentar o poder de corte durante disputas, quando uma pessoa quer “cortar” a linha do seu concorrente.

Essas linhas, no entanto, são super perigosas e causam acidentes gravíssimos, principalmente para motociclistas ou pedestres. Ao passarem por vias públicas, muitos acabam sendo surpreendidos por linhas esticadas entre postes, árvores ou outros pontos elevados, o que pode provocar cortes profundos no pescoço, rosto e membros superiores.

No dia 27 de maio, uma criança de 1 ano e 9 meses morreu após ser atingida no pescoço por uma linha com cerol na capital mineira. A vítima, identificada como Ravi Dias, estava brincando na rua quando foi atingido pela linha cortante e não resistiu aos ferimentos.


Registros na rede hospitalar

Na rede estadual de saúde, somente em 2026, até o dia 26 de maio, foram recebidos 12 casos graves de acidentes com linhas com cerol. Veja ranking nos anos anteriores:

  • 2025 – 24 casos
  • 2024 – 32 casos
  • 2023 – 28 casos
  • 2022 – 26 casos

Já na rede municipal, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) informa que os registros de atendimentos com linhas cortantes passou a ser feito a partir de 2022. Somente em 2026, já foram 22 casos registrados, quase o dobro de atendimentos na rede estadual de saúde. Antes, os atendimentos eram registrados em conjunto com outros tipos de objetos perfurocortantes. Os dados de atendimentos nas UPAs são:

  • 2025 – 45
  • 2024 – 25
  • 2023 – 54
  • 2022 – 29

Fiscalização

A diversão não pode colocar vidas em risco, o combate ao uso do cerol depende tanto da fiscalização quanto da conscientização da população sobre os perigos relacionados ao uso do cerol.

A orientação é que a atividade seja realizada em locais abertos, afastados da rede elétrica e do tráfego de veículos, sempre utilizando linhas sem qualquer tipo de material cortante.

A Guarda Civil Municipal (GCM) de Belo Horizonte informa que realiza rondas preventivas ao longo de todo o ano para combater o uso de cerol e outras linhas cortantes. “Além disso, são realizadas ações contínuas e permanentes de combate ao uso de linhas cortantes, especialmente no ambiente escolar, abordando os riscos e consequências do uso desse material, Com a aproximação das férias escolares e o aumento dos ventos nesta época do ano, a GCMBH intensifica as ações educativas junto às escolas e as ações preventivas junto à população”, diz trecho da nota enviado ao Metrópoles.

Além disso, a GCM também atua com a realização de blitz educativas para motociclistas sobre a importância do uso de antenas, que protegem os motociclistas e evitam danos maiores.

Sobre a venda do material proibido

A comercialização de linhas cortantes é proibida, e de acordo com a Secretaria Municipal de Política Urbana são realizadas ações orientativas pela Fiscalização Urbanística e Ambiental, em conjunto com a Guarda Civil Municipal, junto a estabelecimentos comerciais acerca da proibição da comercialização de cerol e linha chilena.

Legislação

O Estado de Minas Gerais promulgou a Lei nº 23.515/2019, a qual veda a comercialização e o uso de linha cortante em pipas, papagaios e similares, considerando linha cortante aquela que, produzida industrialmente para esse fim ou modificada pela adição de produtos como o cerol, tem poder de corte. O descumprimento da lei acarreta penalidades severas, incluindo apreensão do material e multa.

O uso dessas linhas em locais públicos ou de uso comum, como vias, praças e parques, pode caracterizar o crime de “Perigo para a Vida ou Saúde de Outrem”, previsto no Art. 132 do Código Penal Brasileiro.

Quem expõe a vida ou saúde alheia a perigo direto e iminente, como o que ocorre com quem usa as linhas com cerol, pode receber detenção de 3 meses a um ano.