Lua de Sangue encanta durante eclipse em São Tomé das Letras.
Astrônomo Emerson Roberto Perez registrou parte do fenômeno, mas perdeu o ápice devido à nebulosidade
Belo Horizonte – O eclipse lunar parcial que atravessou a madrugada entre quinta-feira (27/8) e sexta-feira (28/8) chamou a atenção e encantou o astrônomo Emerson Roberto Perez por apresentar uma característica comum aos eclipses totais: a coloração avermelhada da Lua, popularmente conhecida como “Lua de Sangue”.
Em São Tomé das Letras, no Sul de Minas, o astrônomo Emerson Roberto Perez conseguiu acompanhar e fotografar parte do fenômeno. A observação, porém, foi interrompida pela presença de nuvens. Ele registrou o eclipse desde o início até aproximadamente 0h40, mas não conseguiu fotografar o momento de maior intensidade, que ocorreu às 1h12.
O fenômeno teve duração total de 3 horas e 18 minutos. Começou às 23h33 da quinta-feira (27/8) e terminou às 2h51 da sexta-feira (28/8).
Segundo Perez, entre 93% e 96% da superfície lunar ficou encoberta pela sombra projetada pela Terra. Apesar de ser classificado como parcial, o eclipse apresentou características visuais semelhantes às de um eclipse total.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Então, ele teve essa característica especial”, explica o astrônomo.
Por que a Lua ficou avermelhada?
O eclipse lunar acontece durante a Lua cheia, quando a Terra se posiciona entre o Sol e a Lua. Nessa configuração, a Terra projeta uma sombra no espaço, e a Lua passa por essa região, de acordo com o astrônomo.
“Lembrando que o eclipse da Lua ocorre em fase de Lua cheia, onde a Terra fica entre o Sol e a Lua. A Terra projeta um cone de sombra no espaço e a Lua cruza essa sombra da Terra, ela transita por essa sombra da Terra obscurecendo a superfície lunar que está recebendo luz do Sol. Então é a sombra da Terra na superfície da Lua”, explica.
No caso do fenômeno observado nesta madrugada, apenas uma pequena parcela da superfície lunar permaneceu recebendo diretamente a luz do Sol. A maior parte ficou dentro da sombra terrestre.
A coloração avermelhada ocorre por causa da passagem da luz solar pela atmosfera da Terra. Os raios de luz sofrem refração ao atravessar a atmosfera e são desviados para dentro do cone de sombra projetado pelo planeta.
A luz vermelha é a que sofre menor dispersão nesse processo. Por isso, parte dela alcança a superfície da Lua, fazendo com que o satélite adquira o tom avermelhado característico.
É daí que vem a expressão popular “Lua de Sangue”. De acordo com Perez, o termo é antigo e está associado justamente à aparência vermelha adquirida pela Lua durante eclipses. Ele cita ainda registros históricos nos quais a coloração era relacionada simbolicamente ao sangue de batalhas e guerras.
“Nossos antepassados até falavam que a lua ficava manchada de sangue, então tem fatos históricos, por exemplo, que durante algumas guerras, e aí aparecia a lua, tinha esse eclipse lunar total e aparecia a lua avermelhada no céu. Então chamavam isso de lua de sangue, como se o sangue das batalhas, das guerras, estivesse ali representado na lua, estivesse escorrendo pela lua, então ficou esse dito popular da lua vermelhada ser chamada de lua de sangue”, conta Perez.
Um eclipse parcial com aparência de total
Apesar da aparência, Perez reforça que o fenômeno não foi um eclipse total. A classificação depende de toda a superfície da Lua estar ou não coberta pela Umbra, a parte principal da sombra da Terra.
“Neste caso, a cobertura ficou entre 93% e 96%. Assim, aproximadamente 7% da superfície lunar ainda permaneceu exposta à luz do Sol. A gente, olhando algumas fotos, até parece, lembra muito, um eclipse total”, disse o astrômomo.
Para o astrônomo, justamente essa combinação tornou o fenômeno particularmente interessante: um eclipse parcial que, visualmente, apresentou características associadas aos eclipses totais.
Nuvens impediram registro do ápice
A observação em São Tomé das Letras começou sob condições desfavoráveis. O céu já apresentava muitas nuvens no início do eclipse, mas elas ainda permitiam a passagem de parte da luz da Lua.
Perez conseguiu fazer registros das 23h23 até 0h40. Depois disso, a nebulosidade aumentou e impediu a continuidade das fotografias.
O ápice estava previsto para 1h12, mas, naquele momento, o céu estava completamente encoberto. As nuvens permaneceram até o fim do fenômeno.
“Eu consegui então, desde as 23h23 até meia-noite e 40. Aí depois desse horário eu não consegui mais. Acabei não conseguindo pegar o momento do ápice”, relata.
São Tomé das Letras tem céu favorável à astronomia
Perez conheceu São Tomé das Letras em 1990 e destaca as condições do município para a observação astronômica.
Segundo ele, a cidade está entre os cinco melhores pontos do Brasil para observação do céu. Entre os fatores que contribuem para essa condição estão a altitude, de quase 1.500 metros, e a ausência de grandes cidades próximas, o que reduz a poluição luminosa.
Essas características favorecem tanto a observação por telescópios quanto a astrofotografia, incluindo registros com longos tempos de exposição.
Próximos eclipses lunares
De acordo com Perez, os próximos eclipses da Lua terão características diferentes.
Em 2027, estão previstos dois eclipses lunares, mas ambos serão penumbrais. Nesses casos, a Lua passa pela penumbra da sombra da Terra, provocando apenas uma pequena redução no brilho da Lua cheia, algo que não é perceptível a olho nu.
Perez já tem compromisso marcado para os dias 11 e 12 de janeiro de 2028, que é acompanhar o próximo eclipse.

















