Imagem de Santa Efigênia do séc. XVIII retorna ao distrito de Mariana.
Peça sacra do século XVIII foi localizada após 20 anos desaparecida em leilão virtual e devolvida pelo MPMG à Igreja Matriz de São Caetano
Belo Horizonte – Imagem sacra de Santa Efigênia retorna a Monsenhor Horta, distrito de Mariana, na região Central de Minas Gerais. O Ministério Público mineiro (MPMG) devolveu, nesta sexta-feira (7/8), a imagem da santa aos moradores e fiéis da comunidade. A obra, produzida no século XVIII e desaparecida há cerca de 20 anos, foi localizada após denúncia que identificou a peça anunciada em um leilão virtual.
Localização e retorno
Após receber a denúncia, o MPMG recomendou a retirada da imagem do leilão e realizou uma perícia técnica, que confirmou sua origem. O bem voltou a integrar o acervo da Igreja Matriz de São Caetano, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), atendendo ao desejo da comunidade local.
A imagem, esculpida em madeira e representando Santa Efigênia, chegou à igreja sob cuidados especiais. Embora apresente desgastes provocados por pinturas e envernizamentos realizados ao longo dos anos, a peça está estruturalmente preservada e deverá passar por restauração.
Durante a cerimônia de devolução, representantes da Igreja e do MPMG destacaram a importância da preservação do patrimônio religioso e da participação da população na identificação de bens culturais desaparecidos. O órgão também reforçou o papel da plataforma Sondar, desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que reúne informações sobre obras desaparecidas e permite o envio de denúncias e informações pela sociedade.
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Pronunciamentos
Dirigindo-se à comunidade presente, o padre Fabrício Lopes Fernandes destacou outras peças de devoção do povo preto que, assim como Santa Efigênia, também foram furtadas em Monsenhor Horta.
“Além de Santa Efigênia, este altar contava com imagens de São Benedito e Nossa Senhora do Rosário”, destacou.
O padre Carlos Geovane Magri lembrou da importância de se dar visibilidade às peças sacras. “Essas peças não são propriedade privada de ninguém. São da comunidade. É importante que as peças tenham uso sacro. Imagem não é feita para ficar guardada”, defendeu.
Características da peça
A peça traz uma figura feminina jovem, em madeira, de 50cm de altura por 24 de largura e 19 de profundidade. De pele negra, a santa carrega, com a mão esquerda, uma miniatura de igreja em chamas, simbolizando os milagres atribuídos a ela. Veste capa e túnica pretas, com detalhes dourados.
O bem faz parte do conjunto da Igreja Matriz de São Caetano, erguida em 1742. A construção tem fachada relativamente simples, contrastando com o interior rebuscado com diversos detalhes em estilo barroco joanino, muitos deles retocados a ouro.



