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Minas Gerais

Fim das bets: TCE-MG barra R$ 32 milhões a clubes após pedido de Cleitinho

Cleitinho conseguiu suspender patrocínios anunciados pelo atual governador Mateus Simões; dupla já protagonizou atritos durante a transição

04/11/2026 08:11
Reprodução/Redes sociais
Fim das bets: TCE-MG barra R$ 32 milhões a clubes após pedido de Cleitinho

Belo Horizonte — O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), contrariou o atual governador, Mateus Simões (PSD), e conseguiu barrar os patrocínios de R$ 32 milhões anunciados pelo governo estadual para Atlético-MG, Cruzeiro e América-MG após a proibição das bets no Brasil. A decisão do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG), assinada nessa terça-feira (3/11), representa mais um capítulo dos atritos entre a dupla durante a transição de governo.

A suspensão ocorreu após Cleitinho acionar o TCE-MG contra a medida anunciada por Simões em setembro, durante a campanha eleitoral. O governador eleito classificou a iniciativa como “eleitoreira” e questionou a destinação de recursos de empresas estatais a clubes de futebol em meio às dificuldades financeiras enfrentadas pelo estado.

“Eu não posso aceitar, como governador, pegar mais de R$ 30 milhões da Cemig e da Codemig e colocar agora em time de futebol. Vou repetir novamente: todo mundo sabe o amor que eu tenho pelo futebol. Só que a gente tem outras prioridades”, afirmou Cleitinho, em vídeo divulgado nas redes sociais.

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O governador eleito também citou problemas que teriam sido identificados durante a transição, como a situação das contas públicas e a falta de merenda em escolas estaduais.

“A gente está passando pela transição, a gente está vendo o próprio governo dizendo que a partir de janeiro pode ter dinheiro para pagar os servidores. A gente está passando pela transição aqui e vendo também que está faltando merenda nas escolas”, declarou.

Na decisão do TCE, o relator afirmou que não foram apresentados estudos técnicos capazes de demonstrar o retorno institucional dos investimentos para as empresas estatais. A decisão também aponta que os valores foram definidos com base nas perdas financeiras dos clubes após a proibição das bets, e não necessariamente nos interesses das patrocinadoras.

Atritos durante a transição

O embate em torno dos patrocínios ocorre em meio a divergências entre Cleitinho e Simões, que deverá entregar o comando do estado ao sucessor em janeiro de 2027.

Desde que venceu a eleição, Cleitinho já cobrou publicamente mais transparência no processo de transição, criticou a previsão de déficit de R$ 10,5 bilhões para 2027 e pediu que o atual governador não adote medidas capazes de comprometer ainda mais as contas estaduais.

Em uma das manifestações, o governador eleito classificou como “sacanagem” a possibilidade de Simões tomar decisões que agravem a situação financeira de Minas antes de deixar o cargo.

Simões, por sua vez, afirmou que continuará exercendo suas prerrogativas até o fim do mandato. O atual governador também encaminhou à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) propostas relacionadas a promessas feitas por Cleitinho durante a campanha eleitoral, como a redução do IPVA.