Família faz vaquinha para trazer corpo de pastor morto na Venezuela
Parentes dizem que enfrentam dificuldades para trazer o corpo do pastor mineiro e relatam falta de assistência do governo brasileiro

Belo Horizonte — A família do pastor Romildo Batista de Lima, que morreu durante um terremoto na Venezuela, criou uma vaquinha para ajudar a custear o traslado do corpo para Minas Gerais. A campanha tem como meta arrecadar R$ 50 mil e, até a publicação desta matéria, havia recebido R$ 835,50.
Morador de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, Romildo havia viajado ao país ao lado da esposa, a venezuelana Carlha Nacarid, para comemorar seus 69 anos e visitar os pais dela.
O pastor celebrou o aniversário no domingo (21/6). Na quinta-feira (25/6), durante o terremoto, ele e a esposa tentaram se proteger, mas uma parede desabou sobre o casal.
Romildo foi socorrido e levado a um hospital, mas não resistiu aos ferimentos. Carlha permanece internada com uma fratura na bacia.
Segundo familiares, o casal estava hospedado em uma pousada enquanto aguardava o retorno ao Brasil. Eles haviam deixado a casa dos pais de Carlha, onde ficaram durante a viagem, por ser distante do aeroporto.
Dificuldades para trazer o corpo ao Brasil
Mayara Santos Mineiro, sobrinha do pastor, contou em entrevista à apresentadora Natália André, do Acorda Metrópoles, que a família teve dificuldade em manter contato com o governo brasileiro para receber ajuda com o translado do corpo.
“A nossa maior preocupação era saber quando seria a despedida. Por isso, fomos atrás do governo para ver se a [Força Aérea Brasileia] FAB conseguia trazê-lo. Eles não nos ajudaram. O Itamaraty não respondeu a nenhum dos contatos. Tinha telefone que sequer atendia”, afirmou.
A sobrinha contou ainda que a família chegou a ser informada de que talvez não fosse possível trazer o corpo ao Brasil, o que aumentou a angústia dos parentes. “Chegou a um ponto em que, infelizmente, o corpo começa a entrar em decomposição e chegou a ser dito que talvez não tivesse como trazê-lo”, disse.
Apesar disso, segundo Mayara, o corpo foi trazido para o Brasil por via terrestre e chegou a Boa Vista (RR). A expectativa é de que até a próxima sexta-feira (3/7) ele chegue em Uberlândia (MG) para que a família faça a despedida.
Burocracia
Mayara informou que a família enfrentou muita dificuladade com a burocracia na Venezuela e recebeu ajuda principalmente da igreja frequentada por outro tio. “Eles foram atrás de toda a documentação, porque esse tem sido o maior desafio. Organizar toda a papelada, uma burocracia ao extremo”, disse.
Segundo ela, foi montada uma força-tarefa entre filhos, tios e outros parentes para tentar resolver a situação. “Ainda por cima, assinaram o atestado de óbito dele com o nome errado. A documentação não estava com ele, e isso foi outro dificultador. Tivemos que preencher um monte de documentos com informações do falecido. Foi muito difícil”, relatou.
Última mensagem
Mayara lembra que a última conversa com o tio aconteceu pelo WhatsApp, no dia em que a filha dela nasceu. “Eu mandei uma foto e falei: ‘Ô, tio, ela chegou’. Também disse que queria que ele viesse conhecê-la. Ele ficou muito feliz com a notícia e respondeu que estava chegando para vê-la”, contou.
A sobrinha descreve Romildo como uma pessoa alegre e dedicada à comunidade. “Ele era uma pessoa muito boa. Do tipo que podia estar passando pelo problema que fosse, mas enfrentava tudo com um sorriso no rosto. Era muito preocupado em levar a palavra de Deus e sempre foi muito caridoso. Fazia trabalho de doação de alimentos para pessoas carentes. Vai fazer muita falta na nossa família”, lamentou.
A reportagem do Metrópoles entrou em contato com o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e aguarda um posiconamento.


