"Exército do Lula": Flávio pede ao TSE suspensão do canal de Janones
Flávio acusa deputado mineiro de abuso de poder e disseminação de desinformação por meio do "Exército do Lula"; Janones alega censura

Belo Horizonte — O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a suspensão do canal “Exército do Lula”, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) no WhatsApp para mobilizar apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O grupo, que já reúne 3,2 milhões de membros, tornou-se alvo de uma ação por supostos abusos durante a campanha eleitoral.
“Vão derrubar o nosso canal. É uma tentativa clara de censura, porque eles dominaram as redes sociais, mas a gente passou deles”, disse Janones em vídeo divulgado nas redes. Ele ainda pediu a mobilização de apoiadores para evitar a medida.
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A ação também tem como alvos Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Flávio acusa os três de abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação social.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesConforme mostrou o Metrópoles, Janones passou a distribuir “missões” aos integrantes do canal para ampliar o alcance da campanha de Lula no segundo turno das eleições. Na terça-feira (6/10), o espaço reunia cerca de 920 mil seguidores.
Na ocasião, o deputado convocou os participantes a recrutar novos integrantes e afirmou que pretendia reunir “a esquerda inteira” no canal. Desde então, o número de participantes cresceu e chegou a 3,2 milhões neste sábado (10/10).
Apesar de ser contra o canal de Janones, o principal aliado de Flávio em Minas, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), também começou a divulgar um espaço no WhatsApp para distribuir material de campanha do presidenciável, chamado “A Tropa do Flávio.
Flávio alega ser alvo de fake news
Na ação, Flávio sustenta que o canal é utilizado para coordenar a divulgação de conteúdos contra sua candidatura. Segundo o presidenciável, as publicações incluem informações falsas sobre uma suposta desistência da disputa e afirmações de que ele reduziria aposentadorias, extinguiria o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e cancelaria o aumento do Bolsa Família.
A campanha também questiona o uso de R$ 1,3 milhão do Fundo Especial de Financiamento de Campanha em impulsionamento de publicações por Janones, incluindo anúncios contrários ao candidato do PL.
Além da suspensão do canal até 26 de outubro, Flávio pede a retirada do perfil @janones.apoio do Instagram, a remoção de 26 publicações e a interrupção de anúncios eleitorais.
Justiça dá prazo para manifestação
O relator, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, recebeu a ação e determinou que Janones, Lula e Alckmin apresentem defesa no prazo de cinco dias.
O magistrado, porém, ainda não decidiu sobre a suspensão do canal. Antes de analisar os pedidos urgentes, deu 72 horas para que a campanha de Flávio esclareça se medidas semelhantes já foram solicitadas em outros processos e detalhe as irregularidades atribuídas às publicações.
O ministro também determinou a apresentação dos arquivos digitais utilizados como provas no prazo de cinco dias e rejeitou o pedido para que o processo tramitasse sob sigilo.
Na decisão, Villas Bôas Cueva ressaltou que o recebimento da ação não significa o reconhecimento da veracidade das acusações, que ainda serão apuradas pela Justiça Eleitoral.
