“Espiões” de Vorcaro: defesa de delegada da PF nega vazamento de dados. Vídeo
Delegada da PF e o seu marido, um escrivão da corporação, são acusados de vazar informações sigilosas em benefício de Daniel Vorcaro
atualizado
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Belo Horizonte — A defesa da delegada da Polícia Federal Valéria Vieira Pereira da Silva, alvo da sexta fase da Operação Compliance Zero nesta quinta-feira (14/5), negou qualquer participação dela em vazamento de informações sigilosas ligadas ao inquérito envolvendo a família do banqueiro Daniel Vorcaro.
Em manifestação à imprensa na porta da Superintendência da PF na capital mineira, o advogado Bruno Correia Lemos, que representa a delegada e o marido dela, um escrivão da PF citado nas investigações, afirmou que a acusação “não prospera” porque ambos não estavam cadastrados no procedimento investigativo citado pela corporação.
Segundo ele, o sistema da Polícia Federal possui controle restrito de acesso por matrícula funcional. “Cada servidor possui uma matrícula e o acesso é restrito. Então, se o servidor não estiver cadastrado na operação, ele não consegue acessar o sistema com a matrícula dele”, afirmou.
Celulares apreendidos
De acordo com Bruno Correia Lemos, a operação ocorreu “de forma normal” e houve apreensão dos celulares dos investigados “sem qualquer tipo de impedimento”.
A defesa informou também que já solicitou acesso integral aos autos da investigação e pretende apresentar pedido de modulação das medidas cautelares impostas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.
“A nossa esperança é que a apuração aconteça para demonstrar a inocência dos dois, que possuem uma história na PF”, afirmou o advogado.
“Espiões de Vorcaro”
Conforme mostrou o Metrópoles na Coluna da Manoela Alcântara, a delegada Valéria Vieira Pereira da Silva foi afastada preventivamente da função pública por decisão do STF. André Mendonça também determinou a proibição de ela deixar o país e a apreensão do passaporte em até 24 horas.
Segundo a Polícia Federal, Valéria teria acessado sem autorização um inquérito conduzido pela Superintendência Regional da PF em São Paulo, mesmo estando lotada em Minas Gerais e sem atribuição relacionada ao caso.
As investigações apontam que informações sigilosas teriam sido repassadas ao grupo chamado “A Turma”, apontado como operador dos interesses do banqueiro Daniel Vorcaro.
A PF sustenta que a delegada teria compartilhado detalhes do procedimento com Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado ligado à família Vorcaro. O marido dela, Francisco José Pereira da Silva, também policial federal aposentado, é apontado como intermediador para evitar rastros diretos da comunicação.
Os investigados são suspeitos de crimes como violação de sigilo funcional, corrupção e organização criminosa.
Pai de Vorcaro foi preso
A operação desta quinta também teve como alvo o empresário Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro. Ele foi preso em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e levado para a sede da Polícia Federal na capital mineira.
A defesa de Henrique afirmou que a decisão judicial “se baseia em fatos cuja comprovação da licitude e do lastro de racionalidade econômica ainda não estão no processo”.
“O ideal seria ouvir as explicações antes de medida tão grave e desnecessária. Cuidaremos imediatamente de demonstrar o que estamos a dizer”, disseram os advogados Eugênio Pacelli e Frederico Horta.
