Em 30 minutos, enchente toma casa e destrói história em Juiz de Fora
Após quase 600 mm de chuva em fevereiro, a água subiu acima da geladeira na casa de Maria Irineia. Juiz de Fora registra 32 mortes
atualizado
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Juiz de Fora – Em menos de meia hora, a casa de Maria Irineia Reinaldo da Silva, 56 anos, foi tomada pela água após chuva intensa registrada entre segunda (23/2) e terça-feira (24) na Zona da Mata de Minas Gerais. Moradora do bairro Jardim Esperanças, em Juiz de Fora, ela viu o que construiu ao longo de dez anos desaparecer diante dos olhos durante o temporal que atingiu a cidade.
Natural do Amazonas, Maria chegou ao município com “três mudinhas de roupa” e começou do zero. Tijolo por tijolo, levantou a própria casa às margens do córrego que corta o bairro e criou os três filhos nesse lar. Na manhã da enchente, estava sozinha quando percebeu que a água vinha pelos fundos.
“Era umas 10 horas. Quando eu percebi, a água já estava entrando. Em meia hora passou da altura da geladeira e quase cobriu a porta”, contou ao Metrópoles a moradora de Juiz de Fora.
Ela relata que ficou em choque ao perceber a velocidade com que o nível subia. Tentou ligar para familiares, mas não conseguiu contato. A água avançava com força, empurrando móveis e invadindo todos os cômodos. Sem tempo para retirar praticamente nada, conseguiu salvar apenas os documentos.
O resgate veio de uma vizinha do andar de cima, que percebeu o desespero e desceu uma escada para ajudá-la a sair antes que a água alcançasse um nível ainda mais perigoso.
“Se não fosse ela, eu não sei o que teria acontecido”, disse Maria, emocionada olhando todos os móveis e parede cobertos por barro.
Tragédia das chuvas na Zona da Mata mineira
A enchente foi provocada pelas chuvas intensas que castigaram Juiz de Fora entre segunda e terça-feira. O rio Paraibuna, que corta a cidade, chegou a subir quase dois metros e atingiu cerca de 3,90 metros acima do nível normal, segundo a Defesa Civil. Apenas no mês de fevereiro, o acumulado de chuva chegou a quase 600 milímetros, um volume muito acima da média histórica.
O temporal deixou ao menos 32 mortos e 28 pessoas seguem desaparecidas na cidade, de acordo com o Corpo de Bombeiros. Centenas de famílias estão desabrigadas ou desalojadas, dependendo do apoio público e da solidariedade de vizinhos.
Na casa de Maria, restaram lama, paredes marcadas e o silêncio de quem perdeu tudo. Eletrodomésticos, móveis, roupas e álbuns de fotografia foram destruídos. Ao lado dos três filhos, ela agora tenta reorganizar a vida após ver a água quase engolir sua história em apenas 30 minutos.






