Complexo da Pampulha celebra 83 anos com força cultural e turística. Veja vídeo
Patrimônio da Unesco impulsiona preservação, navegação na Lagoa e investimentos. Pesquisa revela perfil qualificado de visitantes
atualizado
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Belo Horizonte – O Conjunto Moderno da Pampulha completa 83 anos de inauguração e se consolida como um dos principais destinos turísticos e culturais de Minas Gerais. Veja:
Ao mesmo tempo, a Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte S/A (Belotur) divulga pesquisa que traça o perfil dos visitantes, revelando um público qualificado, com alto poder de consumo e forte atração pelo patrimônio modernista reconhecido pela Unesco desde 2016.
As duas iniciativas destacam a vitalidade de um dos símbolos mais potentes da identidade belo-horizontina.
Legado de uma obra de arte total
Projetado por Oscar Niemeyer na década de 1940, com paisagismo de Roberto Burle Marx, painéis de Cândido Portinari e esculturas de Alfredo Ceschiatti, o Conjunto Moderno reúne a Igreja São Francisco de Assis (Igrejinha), o Museu de Arte da Pampulha (MAP), a Casa do Baile, o Iate Tênis Clube e a orla da Lagoa.
Concebido como obra de arte total, o conjunto é o primeiro bem cultural moderno do Brasil inscrito na lista de Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO na categoria Paisagem Cultural.
Para a secretária municipal de Cultura, Cida Falabella, a data celebra “memória, arte, paisagem e inovação”. A presidente da Fundação Municipal de Cultura, Barbara Bof, reforça que a preservação é essencial para manter o espaço como ponto de encontro, formação e acesso à cultura.

Avanços em preservação e infraestrutura
A Prefeitura tem avançado em várias frentes de requalificação. A segunda etapa das obras do MAP Núcleo de Pesquisa e Informação está em andamento com investimento de R$ 1,35 milhão. O projeto inclui o prédio do Acervo (já em acabamentos), Centro de Documentação (Cedoc-MAP) e áreas de apoio, com conclusão prevista para o segundo semestre de 2026.
A restauração completa do Museu de Arte da Pampulha (MAP) também segue adiante: a licitação foi publicada, com orçamento estimado em R$ 29,1 milhões. O projeto prevê restauração arquitetônica, modernização de instalações, acessibilidade e um espaço de visitação durante as obras.
Já a Praça Dino Barbieri, ao lado da Igrejinha, teve licitação de restauração lançada em fevereiro de 2026, com recursos do Novo PAC e do Fundo de Proteção ao Patrimônio Cultural, visando harmonizar o espaço com a concepção original de Burle Marx.
Capivarã: navegação turística é sucesso
Desde dezembro de 2025, a retomada da navegação na Lagoa da Pampulha com o catamarã Capivarã se tornou um dos destaques. Já foram realizadas cerca de 200 viagens gratuitas, atendendo mais de 5 mil passageiros, com nota média de satisfação de 9,9.

A iniciativa é resultado de amplo trabalho de recuperação ambiental. A Lagoa apresenta indicadores de qualidade da água entre bons e ótimos, com operação anual de limpeza que custa cerca de R$ 22,5 milhões. O passeio será tema da próxima “Expedições do Patrimônio”, em 23 de maio.
Perfil do turista: qualificado e satisfeito
A pesquisa do Observatório do Turismo de Belo Horizonte, com 800 entrevistas (95% de confiança), revela dados estratégicos. O lazer é o principal motivo da viagem (64,1%). Entre os visitantes da Pampulha:
- Faixa etária: 60,1% têm entre 31 e 50 anos.
- Escolaridade: 43,4% com superior completo e 24,3% com pós-graduação.
- Renda: 50,7% recebem mais de 5 salários mínimos.
- Origem: 39,5% mineiros; São Paulo (18,9%), Rio de Janeiro (9,6%) e Espírito Santo (5,1%) lideram entre outros estados.
A Igrejinha da Pampulha é o atrativo mais citado (28,2%), seguida por Mineirão, Casa do Baile, Museu Casa Kubitschek e orla da Lagoa. Mais de metade dos turistas (53,6%) conhece o título de Patrimônio UNESCO, e 43,58% afirmam que ele influenciou a decisão de visitar a região. A nota média de satisfação com a Pampulha é alta: 9,1 para segurança e 9,0 para atrativos. O gasto médio na região foi de R$ 183,23 por turista.
Estratégia de valorização
Todos os esforços integram o Projeto Transformador Viva Pampulha, que une gestão cultural, ambiental, urbanística e promoção turística. O Centro de Atendimento ao Turista (CAT Veveco), na orla, funciona como importante ponto de apoio e embarque do Capivarã.
“A Pampulha é um território estratégico”, afirma o presidente da Belotur, Eduardo Cruvinel. “A pesquisa nos ajuda a aprimorar a oferta turística, ampliando acesso, fortalecendo experiências e consolidando a região como destino acolhedor e conectado à história da cidade.”
Com 83 anos de existência e 10 anos de reconhecimento internacional, o Conjunto Moderno da Pampulha reafirma seu papel como cartão-postal, patrimônio vivo e motor de desenvolvimento turístico e cultural de Belo Horizonte.
