
Como será a oposição a Cleitinho na Assembleia de Minas
Esquerda elegeu 22 deputados estaduais para a ALMG; Ana Paula Siqueira afirmou que "se quiser cuidar do povo", Cleitinho terá que dialogar

Belo Horizonte – O governador eleito de Minas Gerais Cleitinho Azevedo (Republicanos), auto declarado um político de direita, não deve encontrar grande dificuldade para formar maioria simples na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), mas vai encontrar quase um terço dos parlamentares na oposição. Os adversário, entretanto, ainda aguardam saber como o político irá conduzir sua gestão para definir o tom dessa oposição.
O governador eleito tem dito que quer conversar “com todos” para governar e diz que não fechará as portas aos opositores.
Apesar de Cleitinho ter apenas seis deputados estaduais em sua coligação, entre eleitos por Republicanos e Podemos, a proximidade com o bolsonarismo deve lhe garantir uma boa parcela dos 21 nomes do Partido Liberal (PL) e mais dois do Novo. Isso aproxima a futura gestão Cleitinho da maioria absoluta de 39 deputados estaduais, número necessário para aprovação dos projetos de lei.
Os partidos mais à esquerda elegeram 22 deputados, entre quinze do Partido dos Trabalhadores (PT); dois do PSB e dois do PV; mais um do PSol, Rede e PDT.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesContudo, no PSB há um movimento para a expulsão do deputado estadual e ex-presidente da legenda Noraldino Júnior, justamente por ele ter apoiado Cleitinho Azevedo na disputa ao Palácio Tiradentes. A legenda apoiava a candidatura do deputado federal Patrus Ananias (PT).
Cinco pontos para entender a relação entre Cleitinho e a ALMG
- Base própria começa com apenas seis deputados: Republicanos e Podemos, partidos da coligação de Cleitinho, elegeram seis das 77 cadeiras. O governador dependerá de alianças desde o início do mandato.
- PL e Novo podem elevar o apoio a 29 parlamentares: a proximidade política com Cleitinho torna os 21 deputados do PL e os dois do Novo aliados naturais. Mesmo unidos, porém, esses partidos ainda não alcançam as 39 cadeiras que representam a maioria absoluta da Casa.
- Partidos de centro serão decisivos: PSD, PP, União Brasil, PSDB, PRD, Avante e Democrata somam 26 deputados. Sem alinhamento automático, esse grupo deverá negociar apoio projeto a projeto — e pode definir tanto as vitórias quanto as derrotas do governo.
- A esquerda parte de um bloco potencial de 22 nomes: o PT, com 15 cadeiras, será o núcleo da oposição. PSB, PV, PSol, Rede e PDT completam o campo, mas a adesão de todos a uma atuação conjunta ainda dependerá da formação dos blocos e da posição de cada partido.
- Nem toda votação exige 39 votos: projetos comuns podem ser aprovados por maioria dos presentes, desde que haja quórum. Propostas mais sensíveis, como mudanças constitucionais, exigem apoio mais amplo. Na prática, Cleitinho poderá formar maioria para pautas ordinárias, mas precisará ampliar bastante sua articulação nas votações estratégicas.
A deputada estadual Ana Paula Siqueira (PT), vice-líder da Bancada Feminina, considerou que ainda é muito cedo para saber como será a atuação da oposição frente a futura gestão e apontou que os caminhos vão depender do rumo que Cleitinho irá querer tomar.
“Ele [Cleitinho] disse que vai procurar construir caminhos para que nós possamos juntos criar as estratégias para garantir que as políticas sociais e que as políticas do Estado cheguem às pessoas que mais precisam”, afirmou a petista, que faz parte do bloco Democracia e Luta, que faz oposição a gestão de Mateus Simões (PSD).
No atual formato, a Assembleia é dividida em três blocos. Além do “Democracia e Luta”, o “Minas em Frente” que possui atuação governista; e o “Avança Minas” que conta com independentes e governistas ocasionais.
Siqueira recordou que Cleitinho destaca sua preocupação com pautas que afetam a vida da população e apontou que, neste caso, ele terá que dialogar com partidos de esquerda, mais ligados à área social, políticas para as mulheres, lideranças educacionais e outros.
“Se ele quer cuidar do povo, vai ter que se aliar com os grupos da Assembleia que mais se preocupam com o povo, que foi exatamente o bloco de oposição. Não tem como escolher cuidar do povo com quem voto na privatização da Copasa, por exemplo. Esses problemas da Copasa vão bater no governo dele e já temos vários problemas da Copasa aparecendo por aí”, afirmou.
Além dos partidos mencionados, ainda possuem representação na ALMG o PSD (9), PP (5), União Brasil (3), PSDB (3), PRD (3), Avante (2) e o Democrata (1), o que corresponde a mais 26 parlamentares.
