Com 350 anos, igreja mais antiga de MG é restaurada. Veja onde fica
Primeira fase das obras foi entregue pelo MPMG; templo histórico tem mais de 350 anos e fica no Norte de Minas
atualizado
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Belo Horizonte – A Igreja Matriz Nossa Senhora da Imaculada Conceição, considerada a mais antiga de Minas Gerais, está passando por intervenções e a primeira etapa das obras de restauração foi finalizada e entregue à população de Matias Cardoso, cidade que fica no Norte de Minas. A cerimônia foi realizada nessa quarta-feira (29/4).
Localizada em Matias Cardoso, município com cerca de 9 mil habitantes, próximo à divisa com a Bahia e às margens do Rio São Francisco, o “Velho Chico”, a edificação resiste há mais de 350 anos. Ao longo da história, a igreja ficou com a estrutura comprometida e sofreu intervenções no entorno, como a instalação de uma torre com três antenas de internet nas proximidades, impactando o conjunto arquitetônico.
Patrimônio histórico
Erguida entre 1670 e 1673, a igreja foi tombada apenas em 1954. À época, o poeta Carlos Drummond de Andrade e então chefe da Seção de História do então Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional destacou a relevância do templo ao escrever: “Lembra ao vivo a fase de desbravamento e povoamento da região por paulistas e baianos, ainda ao findar do século XVII”.
Ele também ressaltou que “sua ancianidade incontestável (um dos templos mais antigos de Minas) e sua vinculação a esse período da formação nacional conferem-lhe evidente interesse histórico, estendido ainda às características arquitetônicas”.
Apoiado por Lúcio Costa, o parecer foi encaminhado a Rodrigo Melo Franco de Andrade, responsável por oficializar o tombamento. Naquele período, o imóvel já apresentava sinais de deterioração, o que reforçou a necessidade de recuperação e preservação para uso da comunidade.
Atuação do Ministério Público
A intervenção foi realizada em parceria com o Instituto Joaquim Artes e Ofícios e integra a segunda fase do programa Minas para Sempre. O projeto foi viabilizado por meio da Plataforma Semente, do Ministério Público de Minas Gerais, com recursos de medidas compensatórias, como multas e indenizações, que somam R$ 2,18 milhões.
Em 2018, o MPMG conseguiu na Justiça a retirada de uma torre com três antenas instalada no Morro do Jesuíta, ao lado da igreja. A estrutura causava impacto visual, paisagístico e elétrico, além de estar em área de proteção ambiental. A empresa responsável foi condenada a pagar R$ 65 mil por danos morais coletivos.
Já em 2024, por meio da Coordenadoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico (CPPC), o órgão firmou um termo para viabilizar recursos destinados a intervenções emergenciais.
Nesta primeira etapa da restauração, foram corrigidos problemas na cobertura da igreja, além da modernização das instalações elétricas e da implantação de um sistema de proteção contra descargas atmosféricas. Também houve recuperação de superfícies e revestimentos da estrutura.
“A identidade é o que nos define enquanto sociedade, é o que nos diferencia dos demais. Por isso, é tão importante para o Ministério Público ter, como uma de suas funções institucionais, a proteção desses tesouros da nossa história e identidade”, afirma o promotor de Justiça e coordenador do CPPC, Marcelo Maffra.
A cerimônia também reuniu autoridades do MPMG e representantes das instituições envolvidas no projeto de preservação do patrimônio histórico. O procurador-geral de Justiça, Paulo de Tarso Morais Filho afirmou em seu discurso que o MPMG pode atuar de diversas formas como por exemplo fiscalizar a aplicação de recursos públicos destinados à restauração, mas que destinar recursos para fins sociais é muito mais nobre.
“A destinação de recursos para finalidades sociais é, sem dúvida, uma das atribuições mais nobres do nosso trabalho. E aqui é possível ver esse resultado concreto”, afirmou o procurador.




