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Eleições 2026Minas Gerais

Cleitinho assumirá Minas no vermelho e com promessas difíceis de cumprir.

Cleitinho Azevedo venceu em primeiro turno a eleição mineira e vai enfrentar desafios fiscais no ano que vem

05/10/2026 02:00

Belo Horizonte e Divinópolis – Eleito governador de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos) deixa a posição de candidato e passa a enfrentar o teste mais difícil de sua trajetória política: transformar em realidade as promessas que o levaram ao Palácio Tiradentes.

Depois de uma campanha marcada pelo discurso direto, pela cobrança de serviços melhores e pela defesa da redução de impostos, ele assumirá um estado endividado, com orçamento pressionado e pouca margem para soluções imediatas.

No discurso de vitória, neste domingo (4/10), Cleitinho reafirmou que reduzirá o IPVA, melhorará as estradas e ampliará o atendimento na saúde. Também prometeu negociar a dívida estadual com o próximo presidente da República, impedir desvios de dinheiro público e montar um secretariado técnico. “Tudo que eu falei na campanha, eu vou trabalhar para cumprir”, afirmou o governador eleito.

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Os principais desafios de Cleitinho

  • Dívida com a União: administrar um saldo que alcançou R$ 186,47 bilhões e parcelas que aumentarão gradualmente pelo Propag.
  • Déficit público: conter despesas e buscar receitas diante de um orçamento deficitário.
  • Redução do IPVA: explicar o tamanho do corte, compensar a perda de arrecadação e considerar o impacto sobre os municípios.
  • Estradas: definir prioridades entre rodovias estaduais, federais e trechos concedidos.
  • Saúde: melhorar o atendimento em uma área compartilhada com União e prefeituras.
  • Base na Assembleia: formar maioria para aprovar projetos tributários e administrativos.
  • Secretariado: conciliar a promessa de uma equipe técnica com os acordos necessários para governar.
  • Relação com Brasília: manter diálogo com o próximo presidente, independentemente do resultado da eleição nacional.

A dívida mineira

A situação fiscal será o primeiro limite para essas promessas. O Orçamento de 2026 foi elaborado com déficit de R$ 5,2 bilhões, enquanto a dívida de Minas com a União chegou a R$ 186,47 bilhões em junho. O estado já aderiu ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), que reduziu temporariamente o valor das parcelas, mas prevê aumento gradual dos pagamentos até a retomada integral do serviço da dívida, em 2030.

Por isso, a promessa de voltar a negociar a dívida dependerá mais do que de uma conversa com o presidente eleito. Qualquer mudança relevante exigirá concordância do governo federal e, dependendo do alcance, uma nova decisão do Congresso.

A redução do IPVA também terá impacto direto sobre as contas públicas. O orçamento de 2026 estimou receita principal de aproximadamente R$ 13,2 bilhões com o imposto. Metade do valor arrecadado pertence aos municípios onde os veículos estão registrados. Uma diminuição da alíquota, portanto, reduziria recursos tanto do estado quanto das prefeituras e precisaria vir acompanhada de compensação de receita ou corte de despesas.

Nas estradas e na saúde, Cleitinho terá de conciliar a expectativa criada durante a campanha com contratos, obras de longo prazo e despesas obrigatórias.

Parte das rodovias mineiras está sob responsabilidade da União ou foi concedida à iniciativa privada. Na saúde, o estado também divide atribuições e financiamento com o governo federal e os municípios, o que limita decisões isoladas do governador.

O governador eleito ainda precisará construir uma base na Assembleia Legislativa para aprovar mudanças tributárias, reorganizar a administração e executar pontos de seu programa. No discurso da vitória, ele deu o primeiro sinal de abertura política ao dizer que procurará Mateus Simões, Gabriel Azevedo e Flávio Roscoe para aproveitar propostas dos adversários e que manterá medidas positivas da atual gestão.

A vitória deu a Cleitinho força popular para iniciar o mandato, mas administrar exigirá uma lógica diferente daquela que marcou sua ascensão política. A partir de janeiro, cobranças feitas em vídeos, discursos e fiscalizações darão lugar a escolhas orçamentárias, negociação política e definição de prioridades. O desafio será mostrar quais promessas cabem nas contas de Minas, em quanto tempo poderão ser entregues e quais terão de ser revistas.