Calor extremo e temporais: El Niño influencia clima de MG em novembro
El Niño pode favorecer temperaturas acima da média e ondas de calor mais intensas; BH pode acumular até 300 milímetros de chuva

Belo Horizonte — O fenômeno El Niño pode favorecer temperaturas acima da média e ondas de calor mais intensas em Minas Gerais ao longo de novembro. Além do calor, o estado deve enfrentar períodos de chuvas intensas e temporais, especialmente na metade sul. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o fenômeno também pode contribuir para as precipitações, embora seus efeitos dependam da atuação de outros sistemas meteorológicos.
Em Belo Horizonte, a previsão indica acumulados de chuva entre 200 e 300 milímetros ao longo do mês, podendo superar a média histórica de 236 milímetros. Já nos próximos dias, a capital mineira deve enfrentar novos temporais, com possibilidade de ventos fortes, raios e queda de granizo.
“A influência do El Niño aqui é maior sobre as temperaturas, favorecendo máximas acima da média e, eventualmente, ondas de calor mais intensas. Em relação às chuvas, ele pode favorecer as pancadas, mas isso depende muito da atuação de outros sistemas meteorológicos”, explicou o meteorologista Lizandro Gemiacki, do Inmet.
Segundo o especialista, a estação chuvosa começou mais cedo em algumas regiões de Minas Gerais, como Triângulo Mineiro, Sul, Região Metropolitana de Belo Horizonte e Zona da Mata. Em outubro, essas áreas já registraram volumes de chuva acima da média, cenário que pode estar associado à influência do El Niño e à atuação de sistemas meteorológicos.
“A tendência é de que a metade sul continue registrando chuvas acima da média. Já na metade norte, não temos uma perspectiva muito clara. Existe a possibilidade de volumes um pouco abaixo da média, mas esse sinal ainda não é muito intenso”, afirmou.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO meteorologista ressaltou, porém, que ainda há incertezas nas projeções climáticas. A expectativa é de uma redução das precipitações na segunda quinzena de novembro, acompanhada de temperaturas mais elevadas.
BH pode ter até 300 milímetros de chuva em novembro
Na capital mineira, os volumes de chuva podem superar a média histórica de 236 milímetros. Segundo Gemiacki, a expectativa é de acumulados entre 200 e 300 milímetros ao longo de novembro.
“Estamos em um período em que a previsão climática apresenta pouca previsibilidade. Por isso, usamos como referência a média histórica”, explicou.
De acordo com o balanço mais recente da Defesa Civil de Belo Horizonte, a região Nordeste registrou o maior acumulado de chuva nos dois primeiros dias de novembro, com 50,4 milímetros, o equivalente a 21,4% da média histórica mensal.
Em seguida, aparecem Venda Nova (44,6 mm), Oeste (42,8 mm), Noroeste (42,6 mm) e Pampulha (41,4 mm).
Temporais e calor de até 34°C
A previsão indica aumento das instabilidades em Belo Horizonte e em outras regiões de Minas Gerais a partir desta quinta-feira (5/11), devido ao avanço de um cavado meteorológico, sistema que favorece a formação de nuvens carregadas e tempestades.
Atualmente sobre o norte de São Paulo, o sistema deve avançar em direção ao território mineiro. Na sexta-feira (6/11) e no sábado (7/11), a passagem de uma frente fria pelo litoral do Sudeste deve reforçar as condições para temporais.
“Hoje, há apenas possibilidade de chuvas isoladas na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A chance de tempestades aumenta a partir de quinta-feira e continua na sexta e no sábado”, explicou Gemiacki.
Apesar da chuva, o calor deve persistir. As temperaturas máximas podem chegar aos 34°C na quinta e na sexta-feira, enquanto as mínimas devem variar entre 18°C e 19°C até domingo (8/11).
No fim de semana, o aumento da nebulosidade deve favorecer pancadas de chuva principalmente no fim da tarde e à noite.
Como o El Niño influencia o clima em Minas
O El Niño é um fenômeno climático de escala planetária, mas seus efeitos em Minas Gerais são influenciados por condições regionais, como frentes frias, circulação dos ventos, aquecimento da atmosfera e relevo.
Segundo Gemiacki, a influência do fenômeno é mais perceptível nas temperaturas do que nas precipitações.
“É difícil separar o que o El Niño está influenciando e o que não está. Ele atua durante todo o período em que está presente, mas sua influência aqui é relativamente pequena”, explicou.
O meteorologista destacou que os diferentes sistemas atmosféricos podem atuar simultaneamente, intensificando ou reduzindo os efeitos uns dos outros.
“Todos esses fenômenos atuam em conjunto. Às vezes, seus efeitos se somam; em outras, se enfraquecem. Por isso, é muito complexo definir exatamente o que está sendo provocado pelo El Niño e o que resulta da atuação dos outros sistemas meteorológicos”, concluiu
