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Minas Gerais

BR-381 lidera ranking, e MG tem 3 das 10 rodovias mais mortais

Levantamento da PRF mostra que a BR-381 liderou o ranking nacional com 158 mortes em 2025; BR-040 e BR-116 também aparecem

25/06/2026 04:00
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Divulgação/CBMMG
BR-381 lidera ranking, e MG tem 3 das 10 rodovias mais mortais

Belo Horizonte – Três das dez rodovias federais mais letais do Brasil cortam Minas Gerais. Segundo levantamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF), a BR-381, a BR-040 e a BR-116 — todas com trechos administrados por concessionárias privadas — somam 435 mortes  em 2025 e um acidente a cada 1 hora e 24 minutos, em média.

“Minas Gerais concentra três das rodovias mais perigosas do país por reunir a maior malha rodoviária federal, trechos sinuosos, pistas simples e intenso fluxo de veículos, especialmente de caminhões”, explica Ronderson Queiroz Hilário, professor do Departamento de Engenharia de Transportes e Geotecnia (DETG) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Para o professor, esses fatores contribuem para o elevado número de acidentes e mortes.

Os riscos apontados pelo especialista seguem se refletindo diariamente nas estradas. No início da semana, mais um acidente grave foi registrado na BR-381: três homens ficaram feridos, dois deles em estado grave, após uma batida entre dois carros em Caeté, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Conhecida como “Rodovia da Morte“, a BR-381 é uma das principais do país, ligando Minas Gerais aos estados de São Paulo e Espírito Santo e passando por cidades estratégicas como Belo Horizonte, João Monlevade, Ipatinga e Governador Valadares.

O trecho aparece na 1ª posição do ranking nacional, com 158 mortes, de acordo com a PRF. Foram 2.845 acidentes — o equivalente a 7,8 ocorrências por dia — e 3.524 pessoas feridas.

Os dados se referem ao período de janeiro a dezembro e abrangem praticamente todo o primeiro ano da concessão da BR-381 à iniciativa privada, iniciada em fevereiro de 2025. Apesar da mudança na gestão da rodovia, o trecho encerrou o ano liderando o ranking nacional de mortes.

Segundo Ronderson, o trecho entre Belo Horizonte e Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, é o que tem o maior número de acidentes. Ele explica que, embora parte da rodovia já tenha sido duplicada, a maior extensão ainda é composta por pista simples, aumentando os riscos.

“A BR-381, no sentido Vale do Aço e Governador Valadares, ainda não está completamente duplicada. Grande parte dela continua sendo pista simples, com uma geometria não das melhores, com excesso de curvas e tráfego intenso, inclusive de veículos pesados. Isso faz com que a rodovia tenha um alto índice de acidentes”, afirma.

Em fevereiro de 2025, a BR-381 passou a ser administrada pela concessionária Nova 381 justamente no trecho entre  BH e Governador Valadares. Com duração de 30 anos, o contrato prevê cerca de R$ 10 bilhões em investimentos para obras.

“A BR-381 teve a concessão firmada há pouco tempo e ainda não houve prazo suficiente para a realização de todas as manutenções e correções previstas”, acredita.

Este ano, a concessionária Motiva Minas_SP assumiu, em abril, a administração da 381 (Fernão Dias), no trecho de 569 quilômetros entre Belo Horizonte e São Paulo. A concessão prevê investimentos de R$ 14,8 bilhões em 15 anos. Antes dela, a rodovia era administrada pela Arteris Fernão Dias.

BR-040

Para Ronderson, a predominância de trechos de pista simples também ajuda a explicar o porquê a  BR-040 também está entre as rodovias mais perigosas. A estrada liga Brasília ao Rio de Janeiro e corta importantes cidades mineiras, como BH, Congonhas, Barbacena e Juiz de Fora.

Ao longo do ano passado, de acordo com o relatório da PRF, foram registrados 1.972 acidentes, uma média de 5,4 batidas por dia, além de 2.429 feridos.

“A BR-040 também possui longos trechos de pista simples e registra um grande fluxo de veículos. Como a maior parte da rodovia está em território mineiro, essas características contribuem para torná-la uma das estradas mais perigosas do país”, disse Ronderson.

A BR-040, entre a capital mineira e Juiz de Fora, na Zona da Mata, está sob concessão da EPR Via Mineira desde agosto de 2024. O contrato prevê a construção de 164 quilômetros de duplicações e 42 quilômetros de faixas adicionais.

O professor José Elievam Bessa Júnior, também do DETG, da UFMG,  afirma que “as concessões são uma boa ferramenta para modernizar a infraestrutura”, mas destaca que os resultados acontecem de forma gradual.”Os efeitos positivos na segurança viária começam no curto prazo, como o atendimento médico e mecânico na pista e os reparos emergenciais, mas os grandes resultados vêm a médio e longo prazo, com as obras de duplicação.”

BR-116

Já a BR-116 aparece na nona posição do ranking nacional, com 124 mortes. Foi nela, porém, que ocorreu uma das maiores tragédias rodoviárias da história recente do Brasil. Em dezembro de 2024, um acidente envolvendo um ônibus, uma carreta e um carro de passeio, em Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, deixou 41 mortos.

A estrada é a maior rodovia do país e liga o Nordeste ao Sul do Brasil, conectando os estados do Ceará e do Rio Grande do Sul. Em Minas Gerais, cruza o estado de norte a sul, passando por cidades como Muriaé, Caratinga e Teófilo Otoni.

José Elievam explica que o relevo montanhoso, aliado ao alto volume de tráfego, favorece a formação de filas e aumenta o risco de acidentes, especialmente em trechos com pouca visibilidade para ultrapassagens. “O alto volume de tráfego em vários de seus trechos aumenta, por si só, a probabilidade de sinistros”, disse já que trata-se de uma “rodovia estruturante do país”.

Segundo o levantamento da PRF, em 2025, a rodovia também figura entre as dez estradas federais com maior número de acidentes e feridos do país. Foram 1.412 sinistros atendidos ao longo do ano, além de 1.824 pessoas feridas.

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O Corpo de Bombeiros atendeu a emergência
Acidente na BR-040 deixa cinco mortos
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Acidente na BR-040 deixa cinco mortos
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Acidente na BR-040 deixa cinco mortos

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Infrações

Para os especialistas, reduzir o número de acidentes nas rodovias mineiras passa, necessariamente, por investimentos estruturais. “Primeiro, é preciso melhorar a geometria da via. Em alguns casos, quando há necessidade, existe a possibilidade de duplicar as rodovias e promover intervenções contínuas”, afirma Ronderson.

Porém, ele destaca que a infraestrutura não é a única causa. Nas BRs 116 e 381, por exemplo, há imprudência dos condutores.

“Muitas vezes os motoristas não respeitam os limites da via, o que contribui para o aumento considerável do número de ocorrências”, afirma Ronderson.

José Elievam também ressalta a importância de fiscalizar as condições de trabalho dos motoristas e ampliar os pontos de parada e descanso.

“Como a matriz de transporte brasileira é historicamente focada no modo rodoviário, não podemos enxergar os caminhões e ônibus como vilões da segurança nas estradas. Pelo contrário, devemos reconhecer o papel vital que eles têm na nossa economia e no transporte de carga e de passageiros, buscando oferecer condições de trafegabilidade que respeitem suas características, que são bem diferentes das de um automóvel ou motocicleta”, disse.

A BR-116 aparece na sexta posição do ranking nacional de infrações, com 386.952 autuações, enquanto a a BR-381 ocupa o oitavo lugar, com 337.548 infrações, enquanto a BR-040 surge na 20ª colocação, com 127.225 registros.

O que diz a ANTT

Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres  (ANTT), Minas Gerais reúne importantes corredores logísticos, intenso fluxo de cargas e passageiros e uma das maiores malhas rodoviárias federais do país. A agência destaca que as BRs 381, 040 e 116 enfrentam desafios históricos relacionados ao aumento do tráfego e à necessidade de ampliar a infraestrutura.

A agência afirmou ainda que o estado concentra mais de 3,5 mil quilômetros de rodovias federais concedidas e mais de R$ 100 bilhões em investimentos contratados.

“Os novos contratos de concessão preveem obras de ampliação da capacidade das vias, recuperação e modernização da infraestrutura, reforço da sinalização, implantação de dispositivos de segurança e monitoramento operacional permanente”.

A ANTT ressaltou que “a redução sustentável dos acidentes depende de um conjunto de fatores que envolve infraestrutura adequada, engenharia de tráfego, tecnologia, operação eficiente das rodovias, fiscalização e comportamento dos usuários”.

A reportagem entrou em contato com as quatro concessionárias responsáveis pela administração das rodovias para solicitar um cronograma atualizado das obras e aguarda retorno.