BH ocupa um dos últimos lugares em ranking nacional de perda de água. Vídeo

Capital mineira aparece na 98ª posição entre os 100 maiores municípios brasileiros analisados pelo Instituto Trata Brasil

atualizado

metropoles.com

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Morador mostra vazamento de água na rede da Copasa na Região Norte de BH

Belo Horizonte – A capital mineira apresenta um dos cenários mais críticos do país, ocupando a 98ª posição entre os 100 maiores municípios, com 68,29% de perdas na distribuição. Isso significa que mais de dois terços da água tratada na capital não chegam nas torneiras de casa. A capital mineira só fica na frente de Parauapebas (PA) e Nova Iguaçu (RJ).

Os dados são 18ª edição do Ranking do Saneamento, publicada pelo Instituto Trata Brasil, em março, analisando a situação em 100 municípios mais populosos do Brasil.

“Isso significa que mais água precisa ser captada para atender essa população, o que sobrecarrega as fontes hídricas. Também há desperdício de dinheiro com o tratamento dessa água para que ela fique potável e possa ser distribuída até a casa da população. A meta de perdas de água, de acordo com a Portaria 788/2024, é que até 2033 o índice fique em até 25% na distribuição. Vemos que BH ainda está bem longe de alcançar esse número”, disse Ivan Rocatelli, supervisor de comunicação do Instituto Trata Brasil.

Nessa segunda-feira (18/5), inclusive, um acidente envolvendo um cano da Copasa provocou desperdício de água e fez com que uma mulher tivesse a casa inundada por lama no bairro Califórnia, na região Noroeste.

Morador da rua Azevim, no bairro Jaqueline, na região Norte, Samuel César Santiago de Santos relata que um vazamento na calçada da via persiste há cerca de três semanas e vem aumentando de volume diariamente.

“É um volume expressivo de água limpa indo embora. A gente vê isso como uma sacanagem, porque água é um bem precioso e caro. Para cortar o abastecimento eles são eficientes, mas para resolver o problema a gente fica nessa luta constante”, afirmou o morador, nesta terça-feira (19/5).

Segundo ele, moradores já registraram reclamações junto à Copasa, mas, apesar de um prazo inicial de atendimento previsto para 13 de maio, o problema ainda não foi resolvido.

Um problema mineiro

O problema de desperdício, porém, não se limita à capital. Outro município de Minas em situação delicada é Ribeirão das Neves, na Grande BH, que aparece na 92ª posição nacional, com 55,68% de perdas.

O estudo também analisa outros parâmetros além da perda de água. São eles: atendimento total de água, atendimento total de esgoto (coleta), tratamento de esgoto, investimento médio por habitante e investimento total. A posição final considera a média desses indicadores.

Apesar do problema com desperdício, BH apresenta indicadores elevados e se destaca nacionalmente em alguns serviços. O atendimento total de água chega a 98,57%, enquanto a cobertura de coleta de esgoto alcança 99,41%.BH é uma das apenas sete capitais brasileiras com índice de coleta de esgoto acima de 90%.

Mas o tratamento de esgoto ainda pode avançar. Atualmente, 75,95% do esgoto coletado recebe tratamento adequado na cidade, de acordo com o levantamento.

Outro destaque negativa também fica para o investimento: R$ 77,24 por habitante em saneamento básico — valor cerca de 66% inferior ao recomendado pelo Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) para garantir a universalização dos serviços até 2033.

“Para o município alcançar a meta do marco legal até 2033, é necessário avançar na preparação do setor e ampliar os investimentos, para que as metas sejam cumpridas e toda a população mineira seja beneficiada com acesso universal ao saneamento básico”, explicou.

De forma geral, segundo a pesquisa, Belo Horizonte despencou no ranking em um ano. “BH aparece na 53ª posição [geral], uma queda de 10 posições em relação ao ranking de 2025”, explicou.

Norte de Minas se destaca positivamente

Minas Gerais mantém dois municípios entre os 20 melhores do Brasil em saneamento básico: Uberaba e Montes Claros. Uberaba aparece na 11ª posição do ranking nacional e se destaca pelo alto índice de tratamento de esgoto, que chega a 93,00%, colocando a cidade entre as 10 melhores do país nesse indicador.

O município também apresenta índices próximos da universalização no atendimento de água, com 99,65%, e na coleta de esgoto, com 99,11%.

Montes Claros ocupa a 14ª posição e é apontada como destaque em investimentos no setor. O município registrou investimento médio anual de R$ 239,30 por habitante, superando a meta de R$ 225,00 estabelecida pelo Plansab como ideal para a universalização dos serviços. Ambas cidades são abastecidas pela Copasa.

Balanço de Minas

Ivan Rocatelli chama anteção que, os dados mais recentes do Sinisa, retirados do painel de saneamento básico do Brasil, 16,5% da população mineira não tem acesso à água potável.

A cidade de Gameleiras, na região Norte do estado (4.793 habitantes, segundo o IBGE de 2022), não integra a pesquisa, mas exemplifica o cenário citado por Ivan. Na semana passada, uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG) identificou problemas graves em escolas do município, como falta de água potável em seis das 10 unidades, além do uso de fossas rudimentares e da queima de lixo a céu aberto.

Segundo o levantamento, 24,8% da população de Minas não conta com coleta de esgoto e, do total coletado, apenas 47,1% é tratado. “Os números ainda estão distantes das metas do Marco Legal do Saneamento, que prevê até 2033 99% da população com acesso à água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto”, disse.

Segundo ele, o investimento per capita em Minas foi de R$ 125,55 por habitante, acima dos R$ 77 registrados em Belo Horizonte, mas ainda longe dos R$ 225 previstos pelo Plansab para universalização.
Mês passado, o Instituto Trata Brasil também  lançou um estudo sobre os benefícios econômicos da expansão do saneamento. “A universalização pode gerar mais de R$ 70 bilhões em benefícios para o estado”, destacou.

Segundo Ivan, o avanço pode representar uma redução de quase R$ 2 bilhões nos custos com saúde, além de gerar cerca de R$ 34 bilhões em ganhos de produtividade do trabalho e outros R$ 5 bilhões ligados ao turismo, impulsionando a economia mineira.

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