BH: avança julgamento dos acusados de matar mulher trans na Savassi
Testemunhas de acusação e defesa foram ouvidas em Belo Horizonte no processo que apura o feminicídio da mulher trans espancada na Savassi
atualizado
Compartilhar notícia

Belo Horizonte — A Justiça de Minas Gerais realizou nesta quinta-feira (9/04) audiência de instrução no 1º Tribunal do Júri Sumariante do Fórum Lafayette, com depoimentos de testemunhas e interrogatório dos réus no processo que investiga a morte da mulher trans Alice Martins Alves, de 33 anos, por funcionários de uma pastelaria.
Durante a sessão, foram ouvidas uma testemunha de acusação e duas de defesa (as demais foram dispensadas). Em seguida, os réus Arthur e Gustavo foram interrogados.
Arthur, que participou por videoconferência, confirmou que ele e o colega foram atrás de Alice para cobrar uma conta de R$ 22, mas negou ter agredido a vítima. Ele atribuiu os ferimentos a uma queda causada pela embriaguez e disse que já conhecia Alice como cliente do Rei do Pastel, onde ela teria saído sem pagar em outras ocasiões.
Gustavo alegou que trabalhava havia pouco tempo no local, não conhecia a vítima e que seguiu orientações do gerente para cobrar a conta. Ambos negaram as agressões, afirmando que Alice se deitou no chão e gritou por socorro, e que caiu sozinha ao desequilibrar-se no salto.
A defesa de Arthur pediu a revogação da prisão preventiva. A juíza abriu prazo de 24 horas para manifestação da promotora Ilydia Fonseca de Moraes e determinou diligências à delegacia. Em seguida, será aberta a fase de alegações finais, encerrando a instrução do processo.

Relembre o caso
O caso ganhou grande repercussão em novembro de 2025. Alice Martins Alves foi espancada na noite de 23 de outubro na avenida do Contorno, esquina com Getúlio Vargas, na Savassi, após deixar o Rei do Pastel sem pagar uma conta de R$ 22.
Dois funcionários da lanchonete a seguiram e, segundo as investigações da Polícia Civil e do Ministério Público, agrediram a vítima com socos e chutes. Imagens e áudios de câmeras de segurança registraram os agressores se referindo a ela no masculino, o que fundamentou a denúncia por feminicídio qualificado com motivação transfóbica.
Alice sofreu fraturas nas costelas, nariz quebrado e perfuração intestinal. Ela ficou 17 dias internada e morreu em 9 de novembro de 2025, em decorrência de choque séptico causado pela perfuração abdominal. A família relatou que ela enfrentava preconceito constante por ser mulher trans e que demorou a denunciar o crime por medo e falta de confiança na Justiça.
O processo segue em tramitação. A audiência de hoje foi marcada pela continuidade da fase de instrução, com o objetivo de esclarecer os fatos antes do possível julgamento pelo Tribunal do Júri.
