Após censurar exposição com nudez, governo de MG faz “nova análise”
Secretaria de Cultura de MG diz que exposição “Habeas Corpus”, de Élcio Miazaki, passa por nova análise após troca no comando da pasta
atualizado
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O governo de Minas Gerais voltou atrás e informou que irá reavaliar a exposição “Habeas Corpus”, do artista Élcio Miazaki, suspensa dias antes da estreia em Ouro Preto sob alegação de “conteúdo impróprio”.
A decisão ocorre após mudança recente no comando da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG). A então chefe da pasta, Bárbara Botega, deixou o cargo na última semana, mas vetou a exposição antes de sair.
Em nota, a pasta afirmou que a mostra “passa por nova análise, devido à mudança recente na gestão”, indicando possível revisão da decisão que havia interrompido a exposição por tempo indeterminado.
Exposição já estava montada
A exposição de Miazaki foi barrada na véspera da abertura, mesmo já montada na Galeria Nello Nuno, da Fundação de Arte de Ouro Preto (Faop). A justificativa do governo foi de que o conteúdo apresentaria nudez e, portanto, seria inadequado para o público previsto.
A mostra havia sido aprovada previamente com classificação indicativa para maiores de 14 anos e aborda temas como ditadura militar, identidade e corpo masculino.
A decisão gerou reação do artista, que classificou o episódio como “silenciamento” e criticou a suspensão sem diálogo prévio.
“Curiosamente, minha produção, que muitas vezes aborda os silêncios, teve um processo de silenciamento. Enfim, diante disso tudo ainda pude enxergar que exposições correm o risco de ter seus ciclos interrompidos, mas as obras continuam existindo”, disse Miazaki.
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Agora, a Secult indica que o caso será reavaliado, o que pode destravar a abertura da exposição. A censura foi alvo de críticas de artistas e de debates sobre liberdade de expressão.
