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Minas Gerais

Apesar de chocolate caro, moradores de BH planejam compras de Páscoa

Dos entrevistados empesquisa na capital mineira, 53,8% preferem ovos de Páscoa industrializados e 34,4% chocolates em geral.

25/03/2026 16:52
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Getty Images
Mãos de duas pessoas pegando ovo de Páscoa de chocolate - Metrópoles

Belo Horizonte – Pesquisa de consumo, realizada no período de 10 a 13 de março,  aponta que 64,1% dos consumidores de BH pretendem presentear na Páscoa de 2026. A data tem grande apelo comercial, mesmo com restrições financeiras.

Pelo levantamento, realizado pela Federação do Comércio de Minas Gerais (Fecomercio-MG), 98,1% dos entrevistados vão comprar chocolates, sendo que 53,8% preferem ovos de Páscoa industrializados e 34,4% chocolates em geral.

Para a economista da Fecomércio MG Gabriela Martins, o resultado mostra resiliência do consumo, mesmo diante de restrições financeiras.

“A Páscoa mantém seu apelo emocional e simbólico, o que sustenta a intenção de compra. Mas o consumidor está mais racional, comparando preços e priorizando opções que cabem no orçamento”, afirma.

A pesquisa também mostrou que o consumidor está mais cauteloso, seletivo e estratégico: 72,8% pretendem gastar o mesmo valor que em 2025 e 49,8% devem comprar menos itens e com valores menores.

Gabriela Martins reforça a mudança de comportamento. “O consumidor não deixa de comprar, mas ajusta o volume e o tipo de produto. Isso exige do varejo ações mais precisas, principalmente em preço e promoção”, explica.

Entre os fatores que influenciam as compras aparecem em destaque as promoções (42,6%) e os preços reduzidos (28,0%).

Em relação à escolha dos locais para realizar as compras, aparecem os supermercados e hipermercados (50,3%) e os shoppings (28.6%).

As formas de pagamento escolhidas estão: cartão de débito (26,4%), de crédito (26,4%) e com pix (23%). A tendência é evitar parcelamentos longos. Diante disso, é possível concluir que a Páscoa é um período relevante para o comércio e o consumo está mais racional, com foco em preço, promoção e custo-benefício.

Foram entrevistadas 407 pessoas.

Chocolate está mais caro

Chocolates em barra e bombons acumulam alta de 24,77% em 12 meses, encarecendo o produto para o consumidor, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Com isso, produtos à base de chocolate estão com preços mais altos, reflexo da crise global do cacau registrada os últimos anos.

Alguns fatores, relacionados à redução da oferta da matéria-prima, contribuíram para essa alta: Problemas climáticos associados ao fenômeno El Niño, além de doenças nas lavouras em países como Gana e Costa do Marfim, responsáveis por cerca de 60% da produção mundial de cacau, diminuíram a produtividade e elevaram os custos da commodity no mercado internacional.

De acordo com o presidente do Conselho de Tecnologia e Inovação da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) Matheus Pedrosa, desde 2024 o produto vem passando por uma alta histórica nos valores. Essa situação ainda influencia nos preços. “O cacau teve uma alta histórica registrada a partir de novembro de 2024 que impactou toda a cadeia. Os altos preços permaneceram ao longo de 2025, gerando uma grande destruição da demanda”, afirma Pedrosa.

No início de 2026, a cotação da matéria-prima registrou queda superior a 60%, após recomposição gradual da oferta global, porém ainda não é possível verificar essa variação no produto final porque grande parte dos insumos utilizados pela indústria foi adquirida em 2025, durante a maior valorização do cacau.

“Mesmo com os desafios, a Páscoa continua sendo o período mais importante para o setor. A data concentra uma forte campanha de produção e distribuição de produtos sazonais, como os ovos de chocolate, o que pode gerar aumento da capacidade produtiva e contratações temporárias em algumas indústrias”, destaca Pedrosa.

Em Minas Gerais, com o avanço do cultivo do cacau, principalmente no Norte de Minas, a cadeia produtiva do chocolate vem ganhando destaque. Há projetos desenvolvidos por instituições de pesquisa e empresas, aumentando a integração do cacau com setores industriais como lácteos, sorvetes, biscoitos, doces, confeitos e panificação.

Alternativas para substituição

O aumento no preço da matéria-prima também impacta diretamente o setor de panificação, que registra crescimento nas vendas durante o período da Páscoa.

De acordo com o presidente do Sindicato da Panificação, Vinícius Dantas, os produtos relacionados ao chocolate devem registrar reajustes entre 20% e 30% neste ano, forçando o consumidor a procurar produtos mais em conta. “Diante desse cenário, muitas padarias têm ampliado o portfólio com produtos alternativos à base de chocolate, como bolos temáticos, kits personalizados e a tradicional colomba pascal. A estratégia busca manter a competitividade diante do aumento de custos e do comportamento mais cauteloso do consumidor”, enfatiza o empresário.

Mas não é só preço que impacta o setor. Outros desafios como os cuidados na exposição e comercialização do produto, principalmente em época de calor, pois os ovos de Páscoa são mais sensíveis às variações de temperatura, também impactam o setor.

Capacitação de profissionais

O cenário também reforça a importância da qualificação profissional para atender à demanda da indústria e do setor alimentício.

Segundo o gerente do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Ricardo Alexandre, a busca por capacitação tem crescido entre pessoas que enxergam a produção de alimentos como oportunidade de renda e empreendedorismo. “As empresas buscam profissionais capacitados e muitas vezes faltam trabalhadores qualificados no mercado para atuar no setor. O SENAI tem justamente o papel de profissionalizar essa mão de obra”, ressalta Alexandre.

Ele destaca que a qualificação técnica reduz desperdícios e melhora o aproveitamento dos insumos, aspecto especialmente relevante em um cenário de aumento no custo das matérias-primas. Padronizar processos, aumentar a produtividade e melhorar o uso de equipamentos e insumos, também, ajudam empresas e empreendedores a manter a competitividade mesmo diante da pressão nos custos.