Apesar de “amadores”, ladrões de banco em MG seguem fugindo da polícia
Especialistas avaliam que a ação em Guidoval (MG) não foi Novo Cangaço, apesar de ser bem parecida no modo de agir dos criminosos
atualizado
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Belo Horizonte – Ladrões que explodiram uma agência bancária em Minas no início do mês seguem foragidos, apesar de autoridades e especialistas não acharem que o assalto tinha sido um trabalho muito profissional.
A cidade de Guidoval, na Zona da Mata mineira, registrou no dia 10 de abril deste ano um assalto a uma agência do Banco do Brasil. Na ocasião, cerca de dez bandidos explodiram e assaltaram a agência por volta das 3h da madrugada. Ao menos um caixa foi detonado durante a explosão e um malote foi levado pelo grupo. Até o momento, segundo informações da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), foram presos quatro homens, mas os demais conseguiram fugir.
Logo após o ocorrido, o governador de Minas, Mateus Simões (PSD), fez uma declaração dizendo que os bandidos eram “amadores” e que a ação não se tratava de uma ação do chamado “Novo Cangaço“.
“São bandidos comuns, amadores, mal treinados, que inclusive se machucaram durante a tentativa de roubo”, disse o governador, na época.
Simões, também tentou deixar a população tranquila e completou dizendo que não se tratava do Novo Cangaço. “Gostaria de deixar a população tranquila: o Novo Cangaço não age em Minas Gerais, porque sabe da nossa velocidade de reação e condição de captura”.
Novo Cangaço?
A professora Roberta Fernandes, pesquisadora do Centro de Estudos em Criminalidade (Crisp UFMG), avalia que a ação criminosa em Guidoval tão complexa do ponto de vistaoperacional quanto o chamado Novo Cangaço.
“A questão de Guidoval, se foi de fato uma ação de Novo Cangaço, foi uma ação de baixa complexidade. Está muito mais para uma ação híbrida, entre um roubo qualificado, com explosivos e um modelo muito clássico paramilitar“, afirma.
Para ser considerado um grupo do Novo Cangaço, a quadrilha tem que ter uma estrutura maior e na maioria das vezes, mais imune a falhas.
“São ações criminosas altamente planejadas, altamente violentas, executadas por um grupo grande, com um poder bélico alto, cujo objetivo principal é roubar grandes quantias, geralmente de bancos ou de empresas que gerenciam carros fortes, em cidades pequenas, ou então cidades de médio porte. Os criminosos utilizam de táticas e estratégias de domínio de território temporário e rápido. É uma estratégia muito concatenada. Para que nada saia fora do esperado”, explica a especialista.
Ação em MG teve falhas na execução
A maneira de agir dos bandidos em Guidoval, de acordo com o especialista em Segurança Pública e professor da PUC Minas Luís Flávio Sapori foi uma tentativa de operar como o Novo Cangaço, mas que a ação apresentou muitas falhas na execução, o que demonstra que os bandidos não tinham muita experiência.
Flávio Sapori esclarece que pelo menos duas situações favoreceram a diminuição desse tipo de crime em Minas Gerais e no Brasil: “O fenômeno reduziu nos últimos dez anos por alguns fatores. Primeiro as grandes quadrilhas especializadas foram desmanteladas e com a prisão das lideranças, esse tipo de crime diminui muito e outro fator é a diminuição da circulação física de dinheiro”, esclarece.
O que ocorreu em Guidoval, segundo Sapori, foi uma tentativa de retorno desse tipo de crime, mas ele afirma que os envolvidos claramente eram mal preparados e o plano não foi bem executado. “Em Minas, no final da década passada tivemos mais de 100 casos. Ultimamente esse tipo de ação ficou mais esporádica”.
Segundo Sapori, “não é qualquer grupo que faz uma ação com essas características, pois envolve um alto grau de profissionalismo.
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Sobre as investigações até o momento
O que se sabe da investigação até o momento é que na ação foi levado um malote de dinheiro da agência, mas a PCMG não informou o valor subtraído. “Durante a ação, houve disparos de arma de fogo e utilização de meios para dificultar a resposta policial, como veículos incendiados e objetos perfurantes espalhados em vias de acesso”, diz nota da PCMG.
No mesmo dia, três suspeitos foram presos, sendo um adolescente de 17 anos e dois homens, de 21 e 35 anos, foram localizados e abordados no município de Rodeiro. Um deles apresentava lesão compatível com estilhaços provenientes da explosão. Foram levandos para Ubá. Foram apreendidos aparelhos celulares, que foram encaminhados para análises.
Em Juiz de Fora, foi possível identificar e prender em flagrante um suspeito, de 47 anos, apontado como responsável pelo apoio logístico à ação criminosa. Esse suspeito atuava na função de “batedor”, de forma coordenada com o veículo usado no crime, ocorrido na madrugada do mesmo dia.
“Ele foi conduzido pela equipe do Núcleo de Inteligência da delegacia Regional de Juiz de Fora à delegacia de plantão, onde foi autuado em flagrante pelos crimes de organização criminosa e embaraço à investigação”.
As investigações prosseguem com o objetivo de identificar outros possíveis envolvidos e promover a completa elucidação dos fatos, de acordo com a Polícia Civil.
Relembre o caso de Guidoval
A ação criminosa ocorreu por volta das 3h, quando um grupo invadiu a agência e detonou ao menos um caixa eletrônico. Para facilitar a fuga, os suspeitos bloquearam ruas da cidade com barricadas feitas de pneus e veículos incendiados.
Imagens registradas por moradores mostram homens encapuzados e armados posicionando explosivos na entrada do banco.
Após o crime, três suspeitos foram presos. Eles estavam feridos, possivelmente em decorrência da própria ação. Outros envolvidos seguem sendo procurados pela Polícia Militar.
Um dos veículos utilizados na fuga foi localizado abandonado na zona rural de Rodeiro, cidade vizinha a Guidoval.
As forças de segurança mantêm operações na região para tentar localizar os demais integrantes do grupo. Até o momento, não há confirmação sobre valores levados na ação.
