
Apenas 2 de 11 candidatos ao governo de MG têm propostas de proteção animal
Kalil e Patrus são os únicos que apresentaram medidas específicas de proteção e bem-estar animal nos planos de governo registrados no TSE

Belo Horizonte — Dos 11 candidatos ao governo de Minas Gerais nas eleições deste ano, apenas dois apresentaram propostas específicas de proteção e bem-estar animal nos planos de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE): Alexandre Kalil (PDT) e Patrus Ananias (PT).
O levantamento considera medidas diretamente relacionadas à proteção, defesa e bem-estar dos animais. Os planos foram consultados pela reportagem entre os documentos apresentados pelos candidatos à Justiça Eleitoral.
Kalil dedica uma seção do programa de governo ao “bem-estar e proteção animal”. O candidato cita abandono, reprodução descontrolada, maus-tratos e falta de estruturas adequadas como problemas que provocam sofrimento aos animais e também têm impacto na saúde pública.
A proposta é criar uma política de cooperação entre o governo estadual e as prefeituras. O plano prevê a possibilidade de consórcios públicos para oferecer soluções regionais, principalmente a municípios menores que não tenham recursos financeiros ou estrutura técnica para manter serviços próprios.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesOrganizações da sociedade civil e protetores independentes também poderiam participar da formulação dessas políticas. Segundo o programa, a intenção é fazer com que a proteção animal deixe de depender de ações isoladas e passe a ser tratada como uma política organizada.
O plano de Kalil também aborda a proteção da fauna silvestre. Entre as medidas previstas estão intervenções de engenharia e sinalização em rodovias estaduais que atravessem áreas relevantes para a fauna, levando em consideração registros de atropelamentos de animais.
Patrus prevê política estadual e conselho
Já Patrus Ananias apresenta uma diversidade maior de medidas em uma seção intitulada “Direito dos Animais”. O plano propõe a criação de uma política estadual de proteção, defesa e direitos animais, com uma estrutura responsável por articular as ações do Estado com municípios, União e sociedade civil.
O petista também propõe criar e fortalecer um Conselho Estadual de Proteção e Direitos Animais e realizar campanhas de conscientização sobre abandono, crueldade e tráfico de animais, além da proteção da fauna silvestre e da convivência responsável entre humanos e animais.
Outra proposta é integrar saúde humana, animal e ambiental nas políticas estaduais. O programa prevê o fortalecimento da prevenção e da vigilância de zoonoses e apoio aos municípios nessas ações.
Para a fauna silvestre, Patrus propõe ampliar corredores ecológicos e passagens de fauna, além de intensificar o combate ao tráfico e à captura ilegal. O plano também prevê incluir a proteção dos animais nas políticas de prevenção e resposta a desastres, mudanças climáticas e emergências ambientais.
O que dizem os demais planos
Os planos de Cleitinho Azevedo (Republicanos), Flávio Roscoe (PL), Mateus Simões (PSD), Ben Mendes (Missão), Henrique Áreas (PCO), Indira Xavier (UP), Professor Tulio Lopes (PCB) e Rafael Duda (PSTU) não apresentam propostas específicas de proteção animal.
Gabriel Azevedo (MDB) cita os animais em seu programa, mas sob a perspectiva da defesa sanitária ligada à produção agropecuária. O candidato propõe fortalecer o sistema estadual de defesa sanitária animal e vegetal, modernizar o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e ampliar a vigilância epidemiológica, fiscalização, capacidade laboratorial e sistemas digitais de rastreabilidade.
As medidas apresentadas por Gabriel têm como objetivos declarados proteger a produção, preservar o acesso aos mercados, garantir a segurança alimentar e manter a competitividade do agronegócio. Por isso, elas não foram consideradas no levantamento do Metrópoles como propostas específicas de proteção e bem-estar animal.









