Fomos a Israel e à Palestina e ouvimos relatos de homossexuais e de um transgênero sobre a vida nos dois territórios
O muro de separação entre Israel e Palestina está em construção e
deve chegar a 700 km
Israelenses e palestinos vivem um complexo conflito motivado por
questões territoriais, religiosas e políticas
O governo israelense usa os direitos LBGT para esconder a sua postura de apartheid. Tel Aviv não é toda Israel. O restante do país está afundado em homofobia e racismo. Os fundamentalistas judeus são mais radicais que os muçulmanos”Abdallah RawashdaOs amigos dele que ficaram na Palestina e são gays vivem sua sexualidade em segredo. “Tive notícias de um amigo que se assumiu, em Belém (Palestina), e os pais aceitaram bem. Mas eles são muito educados, são uma exceção. Ainda temos um longo caminho pela frente, estamos falando de uma sociedade inteira e não de apenas um país”, afirma. Rawashda relata que a pobreza e a opressão na Palestina são um grande obstáculo. “As pessoas precisam de autorização para tudo. É uma situação muito difícil. Não há direitos básicos na Palestina. É preciso liberar as pessoas da ocupação, para então nos libertarmos de todo o resto. Minha mãe, como mulher, não tem direitos. Como vou confrontá-la sobre me aceitar?”, questiona. Histórias semelhantes à de Rawashda repetem-se diariamente, em todo o Oriente Médio. Há dois meses, Ahmed, 21 anos, que é gay, mudou-se de Nablus, a 63 quilômetros ao norte de Jerusalém, para o Canadá, com a ajuda de uma ONG. “Fiz essa escolha para poder ser livre e também para encontrar um trabalho. O desemprego é muito grande na Palestina. Sem trabalho, sem independência, é impossível sair do armário”, lamenta. Uma das primeiras atitudes ao chegar ao Canadá foi tatuar no braço uma linha semelhante à registrada em monitores que acompanham os batimentos cardíacos de um paciente. Ahmed quis eternizar o momento em que renasceu.
Se minha família descobre que sou gay, eles me matam. Meus amigos que são gays vivem vidas secretas, combinando encontros pelo Facebook e longe de lugares públicos”Ahmed, 21 anos, de Nablus
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Entendi que meus sentimentos tinham um nome. Que não era algo que só existia na minha cabeça, era comum outras pessoas se sentirem como eu” Shahar, 22 anos, judeu e transgêneroOs pais e amigos mais próximos reagiram bem e Shahar passou a viver plenamente como um garoto adolescente. “Tive muita sorte por ter a minha família. Em geral, a sociedade israelense não aceita tão bem essas questões.” Aos 17, Sharar começou a preparação para servir ao exército. “Nesse momento, percebi que não seria nada simples. Como vou me apresentar? O que vou dizer às pessoas sobre mim? Como vou me vestir? Na minha identidade, eu ainda era uma mulher”, lembra. Não importa o gênero, aos 18 anos, todos devem alistar-se, em Israel. É nessa idade também que, pela lei do país, quem está em desacordo com seu gênero biológico pode optar pela cirurgia de redesignação sexual, popularmente chamada de mudança de sexo. Ele decidiu, então, contar somente aos comandantes da unidade onde servia sobre sua identidade de gênero. Sua aparência, porém, mostrava que ele não era uma garota como as outras. “As mulheres não ligavam para a minha aparência. Elas não se importavam tanto. Meu comando me apoiou, permitiu que eu usasse o uniforme unissex e me viu como bom candidato a oficial. Durante o curso de formação, comecei a entender que não poderia guardar esse segredo, não poderia esconder dos meus soldados algo tão básico sobre mim”, afirma.
O exército israelense aceita homens e mulheres, que são divididos
em pelotões diferentes
A Parada Gay de Tel Aviv é uma das maiores do mundo: 25% da
população local é homossexual
Shai Doitsh, 37 anos, nascido em Tel Aviv, ativista LGBT, ex-presidente da força tarefa pelos direitos LGBT The Aguda.
Grafite na parada de Tel Aviv. Palestinos acusam Israel de usar
direitos LGBT para esconder o conflito
É uma nova geração de palestinos que você não teve a chance de conhecer. Acho que muitas pessoas que viram o filme mudaram sua mente sobre como é ser um árabe gay e palestino. Saiam das suas bolhas e deixem os “funky” árabes abrirem a sua mente” Khader Abu-Seif, um dos personagens de Oriented
Linah Alsaafin
Ghaith Hilal
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