Brasília terá primeira casa de parto privada do país

Parteiras que já ajudaram a trazer quase 400 bebês ao mundo inauguram espaço alternativo para assistência a gestantes nesta sexta-feira, 12

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atualizado 13/07/2019 19:25

Se você já esteve à espera de um bebê (e tem condições socioeconômicas mais privilegiadas que a maioria da população), deve ter percebido que há muitas formas de trazer um filho ao mundo. Cesárea, parto natural, humanizado, domiciliar,… os modelos de assistência têm ficado mais diversificados, uma vez que as mulheres também passaram a reivindicar maior protagonismo no processo (parece óbvio, mas não é, infelizmente).

Agora, se soma a essa gama de possibilidades, a primeira casa de parto privada do país. O espaço Luz de Candeeiro – parto e cuidado feminino abre as portas nesta sexta-feira, 12 de julho, em Brasília, com proposta inspirada nas casas de parto dos Estados Unidos e da Inglaterra. No local, mulheres em gravidez de risco habitual poderão fazer todo o acompanhamento pré-natal e ter seus bebês com a ajuda de enfermeiras obstétricas – profissionais treinadas e habilitadas para a função.

“Nossa ideia é oferecer o conforto de uma casa, aliado à segurança de estar muito próximo a hospitais de referência”, explica a enfermeira obstétrica Ana Cyntia Paulin Baraldi, uma das idealizadoras da casa de parto. “Esse espaço surge para responder a uma demanda da sociedade. As mulheres, muitas vezes, não desejam parir em casa, mas tampouco querem ter de enfrentar um lugar frio e burocrático como um hospital”, acrescenta.

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As idealizadoras do projeto

Ana Cyntia e uma das sócias, a também enfermeira obstétrica Iara Silveira, têm experiência no assunto. Desde 2012, elas formam uma das equipes que realizam partos domiciliares planejados no Distrito Federal. Já ajudaram a trazer quase 400 bebês ao mundo. Nas andanças, perceberam que nem sempre o desejo de parir em casa era o que motivava as mulheres a procurar os serviços de enfermeiras como elas.

“Muitas queriam, principalmente, fugir das intervenções médicas desnecessárias (ainda muito comuns no modelo de assistência hospitalar ao parto). Elas também procuravam um ambiente mais acolhedor, com profissionais sensíveis”, comenta Ana Cyntia. No espaço Luz de Candeeiro, em uma região próxima ao Setor Hospitalar Sul, há duas suítes com cama, banheira, bola de pilates, barra de espaldar, tecidos e outros recursos que ajudam a aliviar a dor do parto de maneira não medicamentosa.

Os serviços incluem, ainda, uma equipe médica de backup, para o caso de o trabalho de parto não evoluir como o esperado e ser necessária a realização de uma cesárea (em um hospital) e também o apoio de uma ambulância, para transferências urgentes. O backup é coordenado pela obstetra Renata Reis, a terceira sócia da casa. Outras três enfermeiras obstétricas completam a equipe. O modelo começou a ser planejado em 2017, quando Iara e Ana Cyntia participaram de um congresso da American Association of Birth Centers, organização que reúne casas de parto dos Estados Unidos.

A ideia de fundar o local passou, também, pela reflexão sobre o real empoderamento da mulher grávida no processo de busca de um parto natural. “Ao fugirem do modelo hospitalar, muitas acabam ficando extremamente dependentes das profissionais de saúde, sendo que o empoderamento verdadeiro tem pouco a ver com a enfermeira ou a equipe e mais com o fato de a mulher acreditar em sua capacidade de parir”, diz Ana Cyntia.

Para parir no local, é preciso se encaixar nos mesmos critérios estabelecidos para a realização de um parto domiciliar, ou seja, não ter uma gravidez de risco. Mais informações sobre a casa de parto Luz de Candeeiro aqui.

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