Bolsonaro diz que começou a discutir livre comércio com os EUA

O presidente afirmou que esse foi um dos assuntos tratados no jantar que teve com o presidente no último sábado, em Mar-a-lago

atualizado 10/03/2020 14:23

Alan Santos/Presidência da República

Enviado especial a Miami (EUA) – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) revelou, nesta terça-feira (10/03) que deu início a tratativas que visam estabelecer uma área de livre comércio entre o Brasil e os Estados Unidos. O assunto, segundo o chefe do Executivo, foi tratado com o mandatário norte-americano Donald Trump durante jantar que os dois tiveram em sua resort chamado Mar-a-lago, no sábado (07/03).

Na ocasião, Bolsonaro comemorou o que chamou de “bom relacionamento de direita” entre os dois.

Acordos de livre comércio costumam zerar – ou ao menos reduzir – tarifas de importação e exportação entre dois países de modo a intensificar as trocas comerciais. Na época do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), presidente de 1995 a 2002, tratativas da mesma natureza foram iniciadas com o então presidente norte-americano Bill Clinton. O acordo era conhecido pela sigla Alca: Área de Livre Comércio das Américas.

O acordo, entretanto, envolvia outros países no continente e acabou não saindo do papel. No governo seguinte, de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a proposta foi enterrada.

“Foi dado o primeiro passo [no acordo de livre comércio]. Conversando sábado com o presidente Trump, discutimos questões pontuais, como há interesse americano no caso do etanol, carne de porco”, disse o presidente, destacando áreas de conflito entre produtores brasileiros e dos Estados Unidos. “Eu disse a ele que deixássemos as questões pontuais e discutíssemos de forma mais ampla. Ele concordou”, prosseguiu.

Atualmente, o Brasil possui um acordo de livre comércio apenas com dois países: Israel e Palestina, que são economias pequenas na comparação com países do tamanho do Brasil e dos Estados Unidos. O Mercosul, que reúne quatro países do continente, é uma tentativa de chegar a tal contexto, mas registrou poucos avanços nesse sentido ao longo dos anos.

Para Bolsonaro, de acordo com discurso que ele proferiu na Conferência Internacional Brasil-Estados Unidos: um novo prisma nas relações de parceria e investimentos, evento que reuniu empresários e investidores dos dois países em Miami, esse passo seria uma sequência das aprovações das reformas administrativas e tributárias.

“Dessa forma, estaremos abertos ao mundo todo, buscando o livre comércio”, disse. “Isso, no meu entender, é fantástico para todos nós. E nós estamos demonstrando que queremos ser o livre comércio, e que a livre iniciativa se faça presente nesses momentos”, afirmou.

Crise?
No mesmo evento, o presidente Jair Bolsonaro minimizou a queda violenta registrada na bolsa de valores, na última segunda-feira (09/03) dizendo que era algo “esporádico”. O principal índice que baliza os negócios, o Ibovespa, teve queda de 12% – a maior desde 1998.

Ao mesmo tempo, o dólar acumulou alta recorde e passou dos R$ 4,70. Para o presidente, entretanto, não se trata de uma crise. “Obviamente temos um momento de crise, pequena crise”, minimizou, citando, inicialmente, o coronavírus. “E a outra [preocupação], que alguns da imprensa conseguiram fazer uma crise, é a queda do preço do petróleo. Entendo que é melhor cair 30% do que subir 30% o preço do petróleo. Mas isso não é crise”, avaliou.

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