Treinadores de esqui são suspensos após fraudes em uniforme; entenda
As Olimpíadas de Inverno de 2026 se aproximando rapidamente, a competição de salto de esqui masculino começa em 7 de fevereiro
atualizado
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A Federação Internacional de Esqui e Snowboard (FIS) anunciou uma decisão histórica que abalou o salto de esqui: três membros da equipe técnica norueguesa foram suspensos por 18 meses por manipulação ilegal de uniformes durante o Campeonato Mundial de Esqui Nórdico de 2025, realizado em Trondheim, na Noruega.
A condenação, divulgada nesta quinta-feira (15/1), atinge o treinador principal Magnus Brevig, o ex-treinador adjunto Thomas Lobben e o técnico de uniformes Adrian Livelten. Cada um deles também foi multado em 5 mil francos suíços (cerca de US$ 6.2 mil) para cobrir custos do processo.
As suspensões são retroativas ao período de suspensão provisória iniciado em março de 2025, o que significa que eles poderão voltar a trabalhar, se encontrarem nova colocação, a partir de setembro de 2026. Os três têm 21 dias para recorrer ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS).
Durante o Mundial de Trondheim, em março de 2025, a Noruega viveu seu melhor desempenho histórico no salto de esqui: seis medalhas (três ouros e três bronzes). Porém, na véspera do último dia de competições, um vídeo gravado secretamente expôs a fraude.
Os treinadores Magnus Brevig e Adrian Livelten foram flagrados inserindo costuras ilegais não elásticas na região da virilha dos uniformes de dois atletas de elite: o então campeão olímpico Marius Lindvik, atual campeão na rampa longa, e Johann André Forfang. O treinador adjunto Thomas Lobben confessou posteriormente ter participado da conspiração.
A manipulação tornava a área da virilha mais larga, lisa e aerodinâmica, permitindo que os saltadores voassem mais longe. Os uniformes já haviam sido aprovados na inspeção oficial da FIS.
Os atletas Lindvik e Forfang alegaram desconhecimento dos fatos, versão aceita pela FIS. Eles receberam apenas três meses de suspensão, mantendo a possibilidade de competir nas Olimpíadas de Inverno de 2026, que começam em fevereiro na Itália.
O Comitê de Ética da FIS rejeitou veementemente os argumentos da defesa, que dizia que “explorar os limites das regras faz parte da cultura do esporte” e que punições anteriores haviam sido leves.
O painel, em sua decisão, afirmou:
“O Painel considerou, mas rejeitou a opção de impor uma sanção leve ou mesmo mínima aos Recorridos. Na opinião do Painel, agora é de fato o momento apropriado para estabelecer um limite claro do que não é aceitável no salto de esqui”, alegaram.
Impacto do escândalo
O país que ostenta a maior coleção de medalhas olímpicas de inverno da história e preza pela ética esportiva. A Noruega sediou o evento em casa e viu seu domínio manchado por uma fraude flagrante.
Os atletas afetados também sentem o peso: nesta temporada da Copa do Mundo, Johann André Forfang está em 16º lugar no ranking, e Marius Lindvik em 18º, desempenho abaixo do esperado.
As Olimpíadas de Inverno de 2026 terão início no dia 6 de fevereiro, a competição de salto de esqui masculino começa em 7 de fevereiro em Predazzo.
