Shogun relembra noite do cinturão contra Lyoto e fala sobre futuro do MMA
Ao Metrópoles, Shogun relembra as maiores batalhas da carreira, critica o MMA moderno e traz bastidores sobre cinturão no Pride e UFC

Lenda do UFC e do PRIDE, Shogun marcou história nas artes marciais durante a sua carreira. Ao Metrópoles, o ex-lutador contou detalhes sobre o seu retorno ao ringue. Em setembro, Shogun enfrentou Glover Teixeira em um combate que marcou a sua primeira luta oficial após a aposentadoria:
“Estava em casa, era uma quinta-feira, e recebi o convite para voltar a lutar e participar do Spaten. De primeira fiquei meio apreensivo, mas contatei minha advogada, acertaram as coisas e deu tudo certo”, iniciou.
“O Glover era um cara que era pra gente ter se enfrentado no UFC, mas nunca deu certo de casar a luta. Ele é até hoje um cara duro, o nosso estilo de luta se parece também. Aceitei de primeira. O meu camp foi de dez semanas pra essa luta, um pouquinho mais longo do que costumava fazer. Eu não pensava em voltar, de verdade, mas essa luta foi bem legal pra trazer aquela adrenalina de novo”, completou.
Após a derrota contra Glover, Shogun chegou a pedir uma nova revanche contra o rival, mas revelou, ao Metrópoles, que agiu na emoção e que aquele combate realmente seria o último da sua carreira:
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Topei pra voltar a ter esse gostinho. Na hora ali a gente tá emocionado, querendo mais, pedi a revanche, mas acho que agora eu parei mesmo”, revelou.
Estilo combativo de Shogun
O estilo de luta de Maurício Shogun sempre foi o combate em pé e buscando o nocaute o quanto antes. Para o ex-lutador, atualmente, os atletas buscam vencer round por round para garantir a vitória e abandonaram o tradicional combate que buscava:
“A coisa que eu mais escutava na minha época eram as mulheres falando que os maridos paravam pra me assistir, e os homens também desmarcavam alguma coisa pra ver os brasileiros lutarem. Hoje em dia você não vê mais isso, não tem mais graça como antes”, comentou.
Shogun classificou que o cenário atual do MMA permite lutas mais “mornas”, enquanto em sua época, as lutas eram mais atrativas ao fã do UFC:
“Quando eu, Vanderlei, Minotauro, Werdum lutávamos, a gente sempre queria a luta acabasse rápido de alguma forma, por nocaute ou finalização, e isso mudou. Hoje em dia lutam muito para garantir pontos, os caras seguram, deixam a luta amarrada pra ir vencendo round por round, e isso torna a luta meio morna”, completou.
Questionado sobre qual lutador atualmente se assemelha com o estilo de luta que Shogun praticava no seu auge, o ex-campeão apontou dois dos principais destaques do país como expoentes da modalidade:
“Acho que o Charles do Bronx e o Poatan são dois exemplos que sempre tentam essa luta em pé, tão sempre buscando a vitória, o nocaute, sem depender de ganhar por pontos. São os brasileiros que mais se destacam no cenário mundial”, falou sobre Bronx e Poatan.
Cinturão
Shogun conquistou o tão sonhado cinturão do UFC em 2010. Sobre a noite contra Lyoto, o ex-lutador relembrou as dificuldades que enfrentou diante do karateca e disse que foi o combate que mais enfrentou adversidades:
“O meu cinturão foi a luta que mais tive adversidade. Estava lutando contra um apêndice de grau 2, tive que fazer a cirurgia e em tese não poderia nem estar movimentando direito. Tive que convencer um por um, desde a família, a minha própria equipe e a organização de que eu iria lutar”, disse.
“Essa informação chegou no pessoal do UFC, de que eu estava mal, recuperando ainda da cirurgia e do joelho. Foi a minha luta mais difícil que tive nesse sentido, mas quando você conquista um sonho teu, isso apaga a dor, apaga o cansaço, as frustrações. A vitória apaga tudo isso”, completou.















