Saiba quem é Arthur Friedenreich, homenageado pelo Google nesta terça
Arthur Friedenreich, conhecido como “El Tigre”, foi o primeiro jogador profissional de futebol negro e ficou fora de de torneio por racismo
atualizado
Compartilhar notícia

Homenageado pelo Google nesta terça-feira (18/7), Arthur Friedenreich foi o primeiro jogador de futebol negro a se tornar profissional no Brasil, além de ser considerado a primeira grande estrela do esporte no país.
Arthur, filho de imigrante alemão e uma empregada doméstica negra, nasceu neste dia, em 1982, apenas quatro anos após a abolição da escravidão no Brasil.
Na época, o futebol era predominantemente disponível apenas para jogadores branco, porém, por causa do pai, Arthur tinha conexão com um clube de imigrantes alemães, o SC Germânia, atual Pinheiros. Equipe no qual estreou com 17 anos.
Logo na estreia, Friedenreich impressionou o público com as habilidades, mas se destacou ao longo da carreira por ser um fazedor de gols.
O centroavante foi artilheiro do Campeonato Paulista em nove oportunidades, sendo campeão do torneio sete vezes. Ele atuou a maior parte da carreira pelo Paulistano (de 1917 a 1929) e passou por grandes times, como São Paulo, Santos e Flamengo.
Racismo
Mesmo sendo um grande destaque, Arthur tinha de alisar o cabelo e passar pó branco para parecer mais europeu. Mesmo assim, em 1921, a as autoridades da Argentina declararam que apenas jogadores brancos poderiam participar da Copa América.
O presidente do Brasil, Artur Bernardes, acatou o pedido dos argentinos e deixou Friedenreich de fora do Copa América.
“El Tigre”
Friedenreich estreou pela Seleção Brasileira em 1914. Na ocasião, ele perdeu os dois dentes da frente em uma dividida. Mesmo com a lesão, ele encerrou a partida, ganhando o apelido de “El Tigre”, fazendo relação com sua dedicação e espírito de luta.
Ao todo, ele jogou 23 partidas pelo Brasil, fez 10 gols e se tornou o primeiro jogador a marcar um hat-trick na Copa América. Ele ganhou o torneio em duas oportunidades (1919 e 1922).
Além disso, também estava em campo no primeiro troféu do Brasil, em 1914. O torneio em questão era a Copa Roca, campeonato amador criado para melhorar as relações diplomáticas com a Argentina e teve onze edições até 1976.
Revolução de 32
Aos 40 anos, de acordo com a Folha de São Paulo, Arthur deixou o futebol para apoiar a Revolução Constitucionalista de 1932, um conflito entre paulistas e o governo de Getúlio Vargas.
O ex-atleta foi promovido a segundo tenente e liderou o Batalhão Esportivo, com quase 3 mil outros atletas. Ele também doou suas medalhas e troféus para ajudar a financiar a luta armada contra Vargas, que acabou derrotada.
A Revolução de 1932 durou quase três meses até a rendição paulista. Depois do conflito, Friedenreich jogou por mais três anos.
