“Qual vai ser sua posição? Vai retirar?” Amazonas FC denuncia intimidação da Sports Media para retirar ação sobre operações com BTG e XP

Clube relata ameaças de Bruno Pimenta, CEO da Sports Media, e aciona FFU para defesa dos clubes

atualizado

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O CEO da Sports Media Entertainment, Bruno Henrique Pimenta da Silva
1 de 1 O CEO da Sports Media Entertainment, Bruno Henrique Pimenta da Silva - Foto: Reprodução

Mensagens de WhatsApp a que o Metrópoles teve acesso indicam que o CEO da Sports Media Entertainment, Bruno Henrique Pimenta da Silva (imagem em destaque), entrou em contato direto com dirigentes do Amazonas Futebol Clube nos dias 24 e 25 de março para pressioná-lo a desistir de ações judiciais movidas contra a Futebol Forte União (FFU) — entre elas, a que pede acesso a documentos sobre operações envolvendo XP Investimentos e BTG Pactual.

Foi nas ligações, feitas no dia 24, que teriam ocorrido as ameaças de retaliação econômica e financeira. No dia seguinte, as mensagens retomaram o assunto: “Boa tarde.”, “Entendeu o que houve?”, “Qual vai ser sua posição?”, “Vai retirar?”.

Nesta sexta-feira (27/3), o clube enviou um ofício ao presidente da FFU, Alessandro Barcellos, relatando o que descreve como uma campanha de intimidação por parte da Sports Media e pedindo que a entidade tome posição. O documento afirma que a empresa evocou “potenciais consequências econômicas e financeiras” para pressionar pela retirada dos processos — e cobra resposta em até cinco dias úteis.

O contexto judicial e os telefonemas

As ligações se deram em um momento de questionamentos judiciais para a FFU. Segundo o ofício, quando a entidade convocou assembleia para deliberar sobre a entrada do Grêmio no Condomínio Forte União — operação que dilui automaticamente as cotas dos demais clubes membros —, a previsão era que times classificados na Série C do Campeonato Brasileiro, como o Amazonas, não participariam com direito a voto, apesar de serem diretamente afetados em seu patrimônio. Tanto o Amazonas quanto o CSA recorreram ao Judiciário e obtiveram liminares garantindo sua participação.

Foi depois da assembleia que uma nova crise se abriu. Segundo o ofício, o clube tomou conhecimento, por meio da imprensa, de que a FFU havia firmado acordos com XP Investimentos e BTG Pactual para estruturar um plano de reunir todos os clubes do Brasileiro sob sua gestão por décadas, com articulações para nomear um CEO indicado pelo mercado financeiro.

O documento relata ainda que a entidade havia conduzido negociações com Grêmio, Santos e São Paulo para ingresso ao Condomínio, sem que o Amazonas tivesse sido informado. Diante disso, o clube entrou com uma ação de exibição de documentos na 21ª Vara Cível de Manaus pedindo acesso aos contratos firmados com XP e BTG e às negociações com clubes externos. Foi essa ação que precedeu os telefonemas.

O Amazonas não era o único interessado nesses documentos. Em 20 de março, o CRB-AL já havia notificado formalmente a FFU com a mesma exigência: acesso aos contratos com XP e BTG. O clube alagoano sinalizou ainda que avalia deixar a liga caso não os obtenha. A pressão chegou também ao Congresso: o deputado federal Beto Pereira (PSDB/MS) apresentou requerimento à Comissão de Esportes da Câmara pedindo audiência com representantes da FFU, da LiveMode, da XP, do BTG e da Life Capital Partners — além de Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal no escândalo do Banco Master, cujo braço de investimentos aportou R$ 30 milhões em um dos fundos do Condomínio.

Para o Amazonas, um interlocutor inesperado

O ofício não se limita a denunciar o teor das ameaças. O documento chama atenção para o fato de que a ação judicial foi movida contra a FFU, entidade juridicamente distinta da investidora — e que foi o CEO da Sports Media quem entrou em contato com o clube. Para o Amazonas, o gesto evidencia uma ingerência da empresa sobre a estrutura do Condomínio que vai além do episódio em si.

O clube aponta que o próprio conteúdo das ameaças corrobora essa preocupação. Pimenta teria evocado possíveis retaliações no âmbito das relações condominiais — mas, segundo o documento, a gestão dos recursos do Condomínio não é atribuição da Sports Media, e sim da Administradora, que deve atuar de forma independente sob supervisão do Comitê Condominial. Para o Amazonas, um representante do polo investidor fazer referência a verbas sobre as quais contratualmente não tem poder levanta dúvidas sobre a real independência da Administradora — preocupação que, segundo o ofício, já vinha sendo externada por outros clubes. O documento enquadra a conduta como violação da Convenção do Condomínio, que impõe deveres de boa-fé e veda atos que prejudiquem os demais membros ou coloquem o investidor em situação de conflito com os clubes

O que o clube pede

No ofício, o Amazonas pede a Barcellos uma postura institucional em defesa da autonomia dos associados frente ao polo investidor e a instauração, junto ao Comitê Condominial, de um procedimento formal de apuração da conduta da Sports Media. O clube pede ainda que a FFU tome medidas para impedir interferências da investidora nos direitos dos clubes e que apresente a todos os associados os documentos sobre os acordos com XP Investimentos e BTG Pactual e as negociações com clubes externos ao Condomínio.
Se não houver resposta em cinco dias úteis, o clube avisa que poderá notificar extrajudicialmente a Sports Media e acionar os mecanismos de penalidade previstos na Convenção do Condomínio.

Outro lado

A Sports Media negou irregularidades no contato. Veja a íntegra da nota enviada à reportagem:

Em relação aos questionamentos feitos pelo Metrópoles, a Sports Media Entertainment (SME) esclarece que faz contatos regulares com os clubes parceiros.

A SME retornou a um pedido do Amazonas FC para tratar de temas pertinentes ao seu negócio, incluindo a atração de novos clubes. *Esse tema faz parte do contexto em que a ação do Amazonas FC foi proposta.

O referido contato, como todos os demais, teve natureza estritamente institucional. A SME refuta qualquer alegação de tentativa de intimidação ou interferência no direito dos clubes.

A SME reforça seu compromisso com a transparência e com o respeito aos direitos dos clubes.

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