Kobe e o basquete viveram arrebatadora história de amor

Ex-jogador da NBA morreu neste domingo, na queda de um helicóptero. Quando deixou as quadras, em 2016, teve duas camisas "aposentadas"

atualizado 27/01/2020 16:22

Era 4 de março de 2018 quando Kobe Bean Bryant pisou no palco do Teatro Dolby, em Los Angeles, para receber um Oscar por Dear Basketball, vencedor da estatueta de melhor animação em curta-metragem. Quase quatro anos anos após sua aposentadoria, o esporte pelo qual ele viveu e que fez dele um dos maiores atletas de todos os tempos rendia ao “Black Mamba” (“a mamba negra”, seu apelido) até mesmo um prêmio no cinema.

O roteiro da animação é a carta de despedida de Kobe, uma arrebatadora declaração de amor. “Do momento em que comecei a enrolar as meias do meu pai e fazer imaginários arremessos ganhadores de jogos no Great Western Fórum, sabia que uma coisa era real. Eu me apaixonei por você. Um amor tão profundo que eu te dei tudo – da minha mente e corpo ao meu espírito e alma”, escreveu ele.

Não há uma só estatística, um só recorde, um só momento da sua trajetória que contradiga esse amor. Kobe viveu pelo basquete. E o basquete tem a marca dele.

Mesmo quando fez sua última partida, Bryant foi histórico. Pela primeira vez, um jogador da NBA teve duas camisetas aposentadas – os times da liga têm como tradição imortalizar os números de seus maiores ídolos e, a partir daí, ninguém mais joga com aquela camisa. Em cerimônia no Staples Center, entraram para o panteão do Los Angeles Lakers a 8 e a 24.

Nada mais justo: o Lakers, segundo maior campeão da NBA com 16 títulos, deve a Kobe meia dezena deles, nas 20 temporadas que o astro jogou com a camisa amarela. Três destes campeonatos, aliás, de maneira consecutiva, em 1999/2000, 2000/01 e 2001/02.

Na cerimônia de aposentadoria, ele foi ovacionado por alguns dos nomes que traduzem a grandeza do Lakers: Magic Johnson, Kareem Abdul-Jabbar e Shaquille O’Neal. Com este último, Kobe participava de uma das maiores rivalidades da liga estadunidense. As brigas e alfinetadas, contudo, não impediram a tríade de troféus que vieram nos anos em que jogaram juntos.

Kobe é conhecido por sempre ter buscado a excelência. Ele entrou no Lakers em 1996, com 18 anos, direto do Ensino Médio, e desde então, inspira os novos jogadores que entram na liga todos os anos. Hoje no rival do Lakers em Los Angeles, o Clippers, Paul George já deu a dimensão do peso de Kobe: “Ele foi o meu Michael Jordan”.

Em números: foi escolhido o jogador mais valioso da liga na temporada regular (2008) por uma vez, e por outras duas nas finais do campeonato. Levou dois ouros olímpicos, em 2008 e 2012. Disputou 1.280 jogos, foi 15 vezes escolhido para o All-Star Game. Em uma das suas mais icônicas partidas, em janeiro de 2006, ele anotou 81 pontos em um só jogo – ficando atrás somente de Wilt Chamberleing, que já marcou 100 pontos.

Até o último sábado (25/01/2020), ele era também o terceiro maior cestinha da história da liga, atrás apenas de Abdul-Jabbar e Karl Malone, do Utah Jazz. Há duas temporadas no time em que se consagrou Kobe, LeBron James, fã assumido, bateu a marca em um jogo contra o Philadelphia 76ers.

As últimas palavras de Kobe no Twitter, aliás, foram para homenagear o feito de James: “Continuando a mover o jogo para frente, LeBron James. Muito respeito, meu irmão”. A NBA também postou um vídeo pouco em que LeBron fala sobre o significado de Kobe e o peso de jogar no mesmo time dele. “Sempre que não estou jogando, estou vendo os Lakers na TV, eu estou assistindo ele, tentando aprender com ele”, diz James em uma entrevista.

Kobe se foi, neste domingo (26/01/2020), mas deixa uma legião que o viu se tornar uma lenda, que começou a acompanhar basquete por causa dele e que se inspirou no seu jogo e no seu amor pelo basquete para construir sua carreira. “Não é a destinação, é a jornada. Se vocês entenderem isso, vocês não realizarão seus sonhos, eles não se tornarão verdade: algo maior vai”, lembrou ele, no seu discurso de despedida.

Mamba’s out. Pra história.

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